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  Os Padres Gregos - Uma Tradição esquecida na teologia Ocidental

Por que a Tradição da Igreja?

Jeremias 6:16- Assim disse Iahweh: Parai sobre os vossos caminhos e vede, perguntai sobre as sendas de outrora: qual era o caminho do bem? Caminhai nele! Então alcançareis repouso para vossas almas. Mas eles disseram: “não caminharemos nele”

Provérbios - 2:1- por que os retos habitarão a terra…

4:27- não te desvies nem para direita nem para a esquerda, afasta teus passos do mal.

Objetivos:

  Definição da perspectiva teórica adotada: a tradição da teologia bizantina.

Elementos fundamentais desta perspectiva: a Tradição da Igreja, a atualidade e continuidade dos ensinamentos dos Padres da Igreja, a fidelidade à tradição apostólica da Igreja Primitiva.

Justificativa da disciplina:

A constatação da perda de fundamentos teológicos, dogmáticos, doutrinais e espirituais do cristianismo no ocidente em relação à Tradição apostólica.

   Esta perda apresenta dois aspectos:

A) uma “crise de identidade” a igreja cristã não se reconhece a si própria.

B) um processo acentuado de “secularização”

Consequências:

A) A crise de identidade leva os cristãos à procura fora da Igreja da sua justificativa para ser Igreja, baseada nas ciências; na busca de uma ética e moral baseada no consenso social, na práxis e no ativismo político das utopias políticas materialistas. A queda do muro de Berlim é um paradigma da quebra das ilusões políticas, transformadas em parâmetros religiosos.

B) O relativismo religioso, fruto de um agudo processo de secularização. Ocorre uma perda da noção do sagrado, de desencantamento do mundo, de fragmentação religiosa. A visão de mundo religiosa é colocada como secundária. O valor da Igreja é meramente calcada nas perspectivas humanas.

O triunfo do humanismo sem Cristo:

O projeto da Modernidade de dar autônomia ao homem libertando-o da superstição religiosa é o modelo para o homem de hoje.

Cristo o Deus-Homem deve ser a medida do homem e não o contrário. As sociedades modernas buscam agradar o homem promovendo o individualismo, o hedonismo e o consumismo.

  O homem é a medida de todas as coisas hoje.

Uma humanidade sem Cristo, não é mais humana. Ela é sub-humana, por que Cristo é a medida do homem pleno, que realiza seu ser verdadeiro.

Qual é o valor da Tradição?

Tradição significa “transmissão da vida da Igreja” comunicar o Espírito da igreja, que é o Espírito Santo

A Igreja não é museu nem cultua o passado. Ela têm do passado uma noção de continuidade que se projeta para o futuro, atualizado hoje. Por que Cristo é o mesmo ontem, hoje e amanhã (Heb 13:8)

   A Tradição não limita a Igreja, mas define seus parametros dentro dos quais Ela encontra sua plenitude, identidade e definição do que Ela é, da sua missão no mundo.

  O que é a Igreja?

A Igreja é o corpo mistico de Cristo do qual nós somos membros.

A Igreja é divina na sua origem: “disse o Senhor à Moisés o solo que pisas é sagrado, tira as tuas sandalias”!

  A Igreja está neste mundo mas não é deste mundo.

A Igreja nós transporta para o Reino de Deus que não é deste mundo, está no mundo e  embora comece aquí, não pertence ao mundo.

O Verdadeiro conhecimento:

  A distância entre o dizer e o fazer.

O cristianismo é uma forma de vida, uma arte de viver, um exercício espiritual a celebração de uma liturgia pessoal à Deus.

  Busca a transformação do homem, ressuscitando-o (fazer circular de novo o sopro em seus membros)

   É o conhecimento da Vida: Eu sou a Vida! Disse Cristo

   A especulação e erudição não provocam mudanças no homem.

   Cristo é o Logos, o Verbo de Deus, a Palavra da Vida

Os Santos Padres da Igreja

  Por que são os Pais da Igreja?

Israel invoca o Deus de Abraão, de Isaac de Jacó, o Deus de nossos pais. Do mesmo modo que o cristianismo canta acrescentando…o Deus de Jesus Cristo, dos apóstolos, dos evangelhistas, de S. João Crisóstomo, de S. Atanásio, de S. Gregório de S. Irineu: o Deus de nosos Padres.

  O cristianismo não é uma sociedade sem pais.

Um só é vosso Pai!  

         “Não chameis ninguém de mestre, nem de pai, pois um só é vosso Mestre e vosso Pai: Deus!

Este conhecimento nos torna livres para amar aqueles por quem é produzido este ato de engendramento, sejam pais biológicos ou espirituais, sem idolatrá-los como causa primeira da inteligência e amor.

S. Paulo diz: “dobra os joelhos diante do Pai de quem recebe o nome toda paternidade no céu e na terra (Ef 3:14).

Evdokimov indica: “um pai espiritual nunca é um diretor de consciências nunca engendra um filho “seu” mais um “filho de Deus” adulto e livre.

Quem são os nosos Pais?

Aqueles que nós transmitiram a fé dos apóstolos, a fé de Jesus Cristo, os hinos, os ritos, os ensinamentos.

Nos primeiros séculos do cristianismo a tarefa de ensinar cabia aos sucessores dos apóstolos: os bispos como chefes da comunidade, presidentes da eucaristia, eram modelos de verdade e misericórdia.

A perda da identidade…

  Perder a identidade é esquecer quem são os nossos pais.

Quando a Igreja não lembra mais quem lhe transmitiu os ensinamentos nem o que lhe ensinaram. Será a mesma ainda?

  Qual é o nosso Credo?

  O que é que nos define como cristãos?

O papel dos Padres da Igreja:

Estes foram os “guardiões do depósito da fé” e tem um papel de discernir e interpretar as Escrituras e continuar a obra de Cristo.

A tarefa inicial dos Padres é transmitir a Tradição oral tal como a receberam dos apóstolos.

Segundo Orígenes, se Cristo não tivesse recebido o golpe do centurião, a imagem de Moisés golpeando a rocha, o sangue e a agua que jorraram ainda estariamos sofrendo a sede da palavra de Deus e da mesma forma se Cristo não tivesse removido a pedra do túmulo, a pedra da letra que obstaculiza a inteligência espiritual.

Sem ajuda do Espírito Santo e dos Padres a leitura das Escrituras correria riscos.

O pensamento contemplativo dos Padres da Igreja:

  Os Padres não perscrutam “um objeto” ou “letras mortas” , mantêm-se em presença de alguem Vivo que excede sempre as capacidades de sua compreensão introduzindo-os no silêncio da adoração, no clima da oração em que elabora sua teologia. Sem excluir o rigor e as exigências do estudo.

Modernidade e especialização na teologia:

Na atualidade a teologia está formada por especialistas: exegetas, filólogos, historiadores, dogmáticos; depois com desprezo, os espirituais, os místicos.

Já os Padres permanecem generalistas, eram exegetas, filósofos e místicos, grandes eruditos e homens de oração.

O ideal seria que o homens de ciência fossem também homens de contemplação.

Os Padres e suas vidas:

Servem de ensinamento, homens lógicos, habitados pelo Logos.

A palavra que transmitem é liturgica: ao tratar de Deus, é mais importante cantar do que falar, celebrar do que explicar.

Esta teologia litúrgica respeita a transcendência de Deus e sua revelaçõ na história dos homens.

A experiência dos Padres e depois dos hesicastas afirma a transcendência de Deus e a proximidade, imanência e sua presença em cada um de nós, ou seja a divinização do homem pelas energias do Verbo e do Espírito (Logos e Pneuma)

A verdadeira gnose:

Os Padres através de uma linguagem antinômica à imagem daquele que é: visível e invisível, finito e infinito, verdadeiro Deus e verdadeiramente homem.

  Sem separar exegese, filosofia e experiência de Deus.

  Não se trata de citar e repetir os Padres, mas de viver e contemplar o que eles conheceram.

  Devemos amar e pensar com a mesma lógica deles, sermos habitados pelo mesmo Logos, pelo mesmo Pneuma.

  Somos convocados a participar da natureza divina.

“De começo em começo, em direção a começos que não têm fim” (S. Gregório de Nissa)

Bibliografia

Eusébio da Cesaréia. História Eclesiástica. CPDA, Rio de Janeiro, 4a Ed, 2003.

Jean-Yves Lelup. Introdução aos Verdadeiros Filósofos. Ed Vozes, 2003.

Johannes Quasten. Patrologia. Vol II. BAC. Madrid, 2001.

Metropolita Gabriel de Lisboa. Mosaicos. Igreja Ortodoxa Portugal, 1997.

 

Aula de teologia ministrada pelo Arcipreste Alexis Peña-Alfaro no Seminário Franciscano de Olinda-2006

 

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