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   Epístola do Apóstolo Barnabé (1ª parte)

Encontrada nos manuscritos no século passado, no Sinaítico, por Tischendorf, em 1859, e no Gerusolemitano, por Bryennios, em 1875, esta carta não nos fornece o nome de seu autor, nem a data e o local de composição.

Foi Clemente de Alexandria quem deu origem à tradição que atribui a autoria desta carta a Barnabé, companheiro e colaborador de São Paulo. Em Stromates 5,63,1-6 e no fragmento Hypotyposes mencionado por Eusébio em História Eclesiástica II,1,4, Clemente diz: “A Tiago, o Justo, a João e a Pedro, o Senhor, após sua ressurreição, transmitiu a gnose, estes a transmitiram aos outros apóstolos e os outros apóstolos aos 70, dos quais um era Barnabé”. A identificação desta carta com o colaborador de São Paulo foi adotada, em seguida, por Orígenes e o argumento aduzido se deve a que a carta fora encontrada entre os escritos do Novo Testamento, nos manuscritos Sinaíticos. Este argumento é responsável, também, pela inclusão da carta entre os livros canônicos, inspirados, por parte de Clemente e Orígenes... Contudo, Eusébio e Jerônimo não aceitam este argumento e excluem a carta dentre os livros inspirados.

O ponto de partida para fixação da data da composição desta obra são os capítulos IV e XVI. (...) A carta teria sido escrita durante o período de reconstrução do templo, se pudermos dizer que 16,4 se refere, conforme querem Harnack e Lietzmann, a este fato. Tudo leva a crer que esta é a hipótese mais provável. De fato, evocando Isaías, o autor diz: "Eis que aqueles que destruíram esse templo, eles mesmos o edificarão". E prossegue: "E o que está se realizando, pois, por causa da guerra deles, o templo foi destruído pelos inimigos. E agora os mesmos servos dos inimigos o reconstruirão". Este "é o que está se realizando" e o "agora" dão a impressão de que o autor está bem informado e é contemporâneo aos acontecimentos. Este escrito estaria datado, portanto, em torno dos anos 134-135.

A obra está dividida em duas partes bem distintas e muito desiguais. A primeira parte, correspondem os capítulos 2 a 16. O cap. 1 é uma introdução e o cap. 17 se constitui na conclusão desta primeira parte. A segunda parte, correspondem os caps. 18-21. A 1ª parte é doutrinária, dogmática. A 2ª, utilizando a imagem dos "Dois caminhos", transmite ensinamento moral.

CAPÍTULO 1
Saudação

Filhos e filhas, eu vos saúdo na paz, em nome do Senhor que nos amou.

A fé dos destinatários Grandes e ricos são os decretos de Deus a vosso respeito. Acima de tudo, eu me alegro imensamente pelos vossos espíritos felizes e gloriosos, pois dele recebestes a semente plantada em vós mesmos, a graça do dom espiritual. Por isso, eu me alegro mais na esperança de me salvar, porque verdadeiramente vejo em vós que o Espírito da fonte abundante do Senhor foi derramado sobre vós. Em vosso caso, foi isso que me chamou a atenção ao vê-los, o que eu tanto desejava.
Intenções do autor

Estou convencido e intimamente persuadido disso, porque conversei muito convosco. O Senhor caminhou comigo no caminho da justiça e eu também me sinto impulsionado a amar-vos mais do que à minha própria vida, pois a fé e o amor que habitam em vós são grandes e fundados sobre a esperança da vida dele. Pensei que, se eu me preocupasse em participar-vos aquilo que recebi, eu teria recompensa por ter servido a espíritos como os vossos. Esforcei-me então para vos enviar estas poucas linhas, para que, além de vossa fé, tenhais também o conhecimento perfeito. Os ensinamentos do Senhor são três: a esperança da vida, começo e fim da nossa fé; a justiça, começo e fim do julgamento; o amor, testemunho pleno da alegria e contentamento das obras realizadas na justiça. Com efeito, por meio dos profetas, o Senhor nos fez conhecer o passado e o presente, e nos fez saborear antecipadamente o futuro. Vendo que uma e outra coisa se realizam conforme ele falou, devemos progredir no seu temor, de maneira mais rica e mais elevada. 8 Quanto a mim, não é como mestre, mas como um de vós, que vos preparei umas poucas coisas. Através delas, vocês se alegrarão nas circunstâncias presentes.

CAPÍTULO 2
O culto que Deus quer

Como os dias são maus e é aquele que exerce o poder, devemos, para o nosso próprio bem, procurar as decisões do Senhor. Os auxiliares da nossa fé são o temor e a perseverança, e nossos companheiros de luta são a paciência e o autocontrole. Se essas virtudes permanecem puras diante do Senhor, a sabedoria, a inteligência, a ciência e o conhecimento virão regozijar-se com elas.
Os sacrifícios

De fato, foi-nos mostrado, mediante todos os profetas, que Deus não tem necessidade de sacrifícios, nem de holocaustos, e nem de ofertas. Em certa ocasião, ele diz: "Que me importa a multidão de vossos sacrifícios?" diz o Senhor. "Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de cordeiros não sangue de touros e de bodes, e nem que venhais vos apresentar diante de mim. Quem pediu essas coisas de vossas mãos? Não continueis a pisar em meu átrio. Se ofereceis flor de farinha, é em vão; vosso incenso para mim é abominação. Não suporto vossas neomênias e vossos sábados." Ele rejeitou essas coisas, para que a lei nova de nosso Senhor Jesus Cristo, que é sem o jugo da necessidade, não precise de oferta preparada por homens. Ele ainda lhes disse: "Por acaso, ordenei a vossos pais, ao saírem do Egito, que me oferecessem holocaustos? Pelo contrário, eis o que lhes ordenei: Que nenhum de vós guarde em seu coração rancor contra o próximo e que não ame o juramento falso." Devemos, portanto, compreender, pois não somos sem inteligência, o desígnio de nosso Pai em sua bondade, pois ele se dirige a nós, desejando que procuremos o modo de nos aproximar dele, sem nos extraviar, como aqueles homens. Eis, portanto, o que ele nos diz: "O sacrifício para Deus é um coração contrito; o perfume de suave odor para o Senhor é o coração que glorifica o seu Criador." Irmãos, devemos, portanto, cuidar de nossa salvação, para que o maligno não introduza em nós o erro, e nos atire, como pedra de funda, para longe da nossa vida.

CAPÍTULO 3
O jejum

A respeito disso, falou-lhes ainda, "Com que finalidade jejuais para mim", diz o Senhor, "como se ouve hoje aos gritos a vossa voz? Não é esse jejum que escolhi", diz o Senhor, "não o homem que humilha a si mesmo. Nem quando dobrais vosso pescoço como um círculo, nem quando vos cobris de pano de saco e cinza, não chameis isso de jejum agradável." Para nós, porém, ele diz: "Eis o jejum que eu escolhi", diz o Senhor: "Desata todas as amarras da injustiça; desfaz as cordas dos contratos iníquos; envia os oprimidos em liberdade; rasga toda escritura injusta; reparte teu pão com os famintos; se vês alguém nu, veste-o; conduz para a tua casa os desabrigados; se vês algum pobre, não o desprezes; não te afastes dos membros de tua família. Então tua luz romperá pela manhã, tuas vestes rapidamente resplandecerão, a justiça irá à tua frente e a glória de Deus te envolverá. Então outra vez gritarás, e Deus te ouvirá. Ao falar, ele te dirá: Eis-me aqui! Isso, se renunciares a tecer amarras, a levantar a mão, a murmurar, e se deres de coração o teu pão ao faminto e tiveres compaixão da pessoa necessitada." Por isso, irmãos, o paciente (Deus), prevendo que o povo, que ele preparou através do seu Amado, acreditaria com simplicidade, nos antecipou todas essas coisas, para que nós, como prosélitos, não nos arrebentássemos contra a lei deles.

CAPÍTULO 4
Vigilância

Exortação geral
É preciso, portanto, que examinemos com grande atenção a situação presente, para procurar o que nos pode salvar. Fujamos, pois, radicalmente de todas as obras iníquas, para que as obras iníquas jamais se apoderem de nós. Odiemos o erro do mundo presente, para que sejamos amados no mundo futuro. Não demos à nossa alma a liberdade, de modo que ela não tenha poder de correr com os maus e pecadores, a fim de que não nos tornemos semelhantes a eles.
Iminência do fim.

O máximo do escândalo se aproxima, conforme está escrito, como diz Henoc . Com efeito, é por isso que o Senhor abreviou os tempos e os dias, a fim de que seu Amado chegue mais depressa à herança. Assim diz o profeta: "Dez reis reinarão sobre a terra e, depois disso, surgirá um pequeno rei que humilhará três reis de uma só vez." Sobre isso, Daniel diz algo semelhante: "Vi a quarta besta, maligna, forte e mais terrível do que todas as bestas do mar. Dela brotaram dez chifres, e desses saiu um pequeno chifre, como broto. Este, de uma só vez, humilhou três dos chifres grandes." Deveis, portanto, compreender.
A Aliança tem exigências.

Além disso, peço- vos insistentemente, eu que sou um e vós e vos amo a todos e a cada um em particular mais do que a .mim mesmo: tomai cuidado para não ficardes como certas- pessoas, que acumulam pecados, dizendo que a Aliança está garantida para nós. Claro que era é nossa. Eles (os judeus) a perderam definitivamente, embora Moisés já a tivesse recebido. De fato, a Escritura diz: "Moisés jejuou na montanha durante quarenta dias e quarenta noites, e depois recebeu do Senhor a Aliança, as tábuas de pedra escritas pelo dedo da mão do Senhor." Eles, porém, a perderam, por se terem voltado para os ídolos. Com efeito, assim disse o Senhor: "Moisés, Moisés, desce depressa, pois teu povo pecou, aqueles que fizeste sair da terra do Egito." Moisés compreendeu, e jogou as duas tábuas de suas mãos. A Aliança deles foi rompida, para que a de Jesus, o Amado, fosse selada em nossos corações pela esperança da fé que nele temos. Querendo escrever muitas coisas, não como mestre, mas como convém a quem ama, não deixando perder nada do que possuímos, apliquei-me a escrever, como vosso humilde servidor. Estejamos atentos nestes últimos dias! Nada adiantará todo o tempo de nossa vida e de nossa fé, se agora, neste tempo de impiedade e na iminência dos escândalos, não resistirmos, como convém a filhos de Deus. A fim de que a Treva não se infiltre em nós e às escondidas, fujamos de toda vaidade e odiemos completamente as obras do mau caminho. Não vos isoleis, dobrando-vos sobre vós mesmos, como se já estivésseis justificados, mas reuni-vos, para procurar juntos o vosso bem comum. De fato, a Escritura diz: "Ai daqueles que se crêem inteligentes e que são sábios diante de si mesmos!" Tornemo-nos espirituais, tornemo-nos um templo perfeito para Deus. Quanto nos for possível, apliquemo-nos ao temor de Deus e combatamos para observar seus mandamentos, a fim de nos alegrarmos em suas disposições. O Senhor julgará o mundo com imparcialidade; cada um receberá segundo o que fez. Se for bom, sua justiça o precederá; se for mau, diante dele irá o salário do mal. 13. Tomemos cuidado para não ficarmos tranqüilos como chamados, adormecendo sobre nossos pecados, de modo que o príncipe do mal se apodere de nós e nos afaste do reino do Senhor. Meus irmãos, compreendei ainda o seguinte: quando vedes que, depois de tantos sinais e prodígios acontecidos em Israel, assim mesmo eles foram abandonados, tomemos cuidado, como está escrito, para que não sejamos encontrados "muitos chamados, mas poucos escolhidos."

CAPÍTULO 5
Sofrimento do Senhor

O Senhor sofreu para purificar-nos de nossos pecados. O Senhor suportou entregar sua própria carne à destruição, para que fôssemos purificados pelo perdão dos pecados, isto é, pela aspersão feita com seu sangue. A respeito dele, a Escritura diz o seguinte sobre Israel e sobre nós: "Ele foi ferido por causa de nossas iniqüidades e maltratado por causa de nossos pecados, e nós fomos curados por sua chaga. Foi conduzido como ovelha ao matadouro e, como cordeiro, ficou mudo diante do tosquiador."

Responsabilidade do homem
Precisamos, portanto, multiplicar nossos agradeci mentos ao Senhor, porque ele nos fez conhecer as coisas passadas, tornou-nos sábios no presente e não estamos sem inteligência para as coisas futuras. A Escritura diz: "Não se estendem injustamente as redes para os pássaros." Isso quer dizer que, com razão, se perderá o homem que, tendo conhecimento do caminho da justiça, toma entretanto o caminho das trevas.

O Senhor sofreu para cumprir a promessa
Ainda o seguinte, meus irmãos: "Se o Senhor suportou sofrer por nós, embora fosse o Senhor do mundo inteiro, a quem Deus disse desde a criação do mundo: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança', como pode ele suportar sofrer pela mão dos homens? Aprendei. Os profetas, que tinham a graça dele, profetizaram a seu respeito. E ele afim de destruir a morte e mostrar a ressurreição dos mortos, teve que se encarnar e sofrer, afim de cumprir a promessa feita aos pais e preparar para si o povo novo e demonstrar, durante sua estada na terra, que era ele mesmo que julgaria, depois de ter realizado a ressurreição.

O Senhor sofreu na carne para que os pecadores pudessem vê-lo
Por fim, embora ele tivesse ensinado a Israel e realizado tão grandes prodígios e sinais, eles não foram levados por sua pregação a amá-lo acima de tudo. Porém, quando ele escolheu seus próprios apóstolos, que iriam anunciar o seu Evangelho, homens cujo pecado ultrapassava a medida, foi para mostrar que ele não tinha vindo chamar os justos, e sim os pecadores. Então ele manifestou que era Filho de Deus. Com efeito, se não se tivesse encarnado, como os homens poderiam ter sido salvos ao vê-lo, uma vez que eles não podem levantar os olhos para olhar de frente os raios do sol, que todavia um dia deixará de existir e que é tão-somente obra de suas mãos?

O Senhor sofreu para levar ao máximo o pecado de Israel
Se o Filho de Deus se encarnou, foi para levar ao máximo os pecados daqueles que tinham perseguido mortalmente os profetas dele. E por isso que ele suportou. De fato, Deus diz que é deles que vem a ferida de sua carne: "Quando ferirem o seu pastor, então as ovelhas do rebanho perecerão." Foi ele, porém, que quis sofrer desse modo. Com efeito, era preciso que ele sofresse sobre o madeiro, pois o profeta diz a seu respeito: "Poupa à minha vida à espada." E "transpassa com cravo a minha carne, porque uma assembléia de malfeitores se levantou contra mim." E diz ainda: "Eis que ofereci minhas costas aos açoites e minha face para as bofetadas. Contudo, mantive o meu rosto como pedra dura."

CAPÍTULO 6
Vitória pascal

O que diz ele, quando cumpriu o mandamento? "Quem é que me julga? Coloque-se diante de mim. Ou quem quer ser declarado justo diante de mim? Que se aproxime do servo do Senhor. Ai de vós! Porque todos vós envelhecereis como veste e a traça vos roerá." E o profeta continua, uma vez que ele foi colocado como sólida pedra para esmagar: "Eis que colocarei nos alicerces de Sião uma pedra de grande valor, escolhida, angular e preciosa." O que diz em seguida? "Aquele que nela crer, viverá para sempre." Será que a nossa esperança está numa pedra? De modo nenhum. Mas foi o Senhor que tornou forte a sua carne. Com efeito, ele diz: "Ele me tornou como pedra dura". O profeta continua: "A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a cabeça de ângulo." E diz ainda: "Este é o dia grande e maravilhoso que o Senhor fez."

A paixão
Eu, humilde servo do amor, vos escrevo com simplicidade, para que compreendais. O que diz ainda o profeta? "Uma assembléia de malfeitores me rodeou. Eles me cercaram como abelhas ao favo." E "sobre minhas vestes tiraram sortes." E como era na sua carne que ele devia revelar-se e sofrer, sua paixão foi revelada de antemão. De fato, o profeta diz a respeito de Israel: "Ai da vida deles! Pois conceberam um desejo mau contra si mesmos, dizendo: Amarremos o justo, porque ele nos incomoda."

Nova criação
Que lhes diz Moisés, outro profeta? "Eis o que diz o Senhor Deus: Entrai na terra boa, que o Senhor prometeu a Abraão, Isaac e Jacó. Tomai posse dessa terra, onde correm leite e mel." 0 que diz a sabedoria? Aprendei: "Ponde vossa esperança em Jesus, que deve revelar-se a vós na carne." Com efeito, o homem é terra que sofre, pois é da terra que Adão foi plasmado. Que significa: "Na terra boa, terra onde correm leite e mel"? Bendito seja nosso Senhor, irmãos, pois ele pôs em nós a sabedoria e o entendimento de seus segredos. Pois o profeta diz: "Quem poderá compreender uma parábola do Senhor, a não ser o sábio que conhece e ama o seu Senhor?" Depois de nos ter renovado com o perdão dos pecados, ele fez de nós um novo ser, de modo que tenhamos alma de criança, como se ele nos tivesse plasmado novamente. De fato, a Escritura fala a nosso respeito, quando ele diz ao Filho: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que eles dominem sobre os animais da terra, as aves do céu e os peixes do mar." E, vendo que nós éramos boa criação, o Senhor disse: "Crescei, multiplicai-vos e enchei a terra." Foi isso que ele disse ao Filho. Vou agora te mostrar como ele fala de nós. Ele realizou segunda criação nos últimos tempos. O Senhor diz: "Eis que faço as últimas coisas como as primeiras." Nesse sentido, assim falou o profeta: "Entrai na terra onde correm leite e mel, e dominai-a." Eis-nos, portanto, criados de novo, conforme o que ele diz ainda por outro profeta: "Eis", diz o Senhor, "que arrancarei deles" -isto é, daqueles que o Espírito do Senhor via de antemão-"os corações de pedra, e implantarei neles corações de carne." De fato, é na carne que ele devia manifestar-se e habitar em nós. Com efeito, meus irmãos, nossos corações assim habitados formam um templo santo para o Senhor. E o Senhor diz ainda: "Como me apresentarei diante do Senhor e serei glorificado?" Ele diz: "Celebrar-te-ei na assembléia de meus irmãos e cantarei teus louvores em meio à assembléia dos santos." Portanto, somos nós que ele fez entrar na terra boa. E o que significam o "leite" e o "mel"? E porque a criança é nutrida primeiro com o mel e depois com o leite. Igualmente nós, alimentados pela fé na promessa e na palavra, vivemos dominando a terra. Ora, ele tinha dito antes: "Que eles cresçam, se multipliquem e dominem os peixes." E quem pode hoje dominar as feras, ou os peixes, ou os pássaros do céu? Devemos compreender que dominar implica poder, a fim de que aquele que ordena possa dominar. Se hoje não é assim, ele nos disse o tempo: Quando formos perfeitos para sermos herdeiros da aliança do Senhor.

CAPÍTULO 7
Jejum e o bode expiatório

Compreendei, portanto, filhos da alegria, que o bom Senhor nos revelou tudo de antemão, para que saibamos a quem constantemente celebrar com ação de graças. Se o Filho de Deus, que é Senhor e julgará os vivos e os mortos, sofreu para nos dar a vida por meio de seus ferimentos, acreditamos que o Filho de Deus não podia sofrer, a não ser por causa de nós. Além disso, já crucificado, deram-lhe a beber vinagre e fel. Escutai como os sacerdotes do templo se expressaram sobre isso. O mandamento escrito dizia: "Quem não jejuar no dia do jejum, será condenado à morte." O Senhor deu esse mandamento, porque também ele devia oferecer a si próprio pelos nossos pecados, como receptáculo do Espírito, em sacrifício, a fim de que fosse cumprida a prefiguração manifestada em Isaac, oferecido sobre o altar. O que diz ele por meio do profeta? "Que comam, durante o jejum, do bode oferecido por todos os pecados." Notai bem: "E que todos os sacerdotes, e somente eles, comam as vísceras não lavadas com vinagre." Por que isso? "Porque vós me fareis beber fel com vinagre, a mim que ofereci minha carne pelos pecados do meu novo povo. Somente vós comereis, enquanto o povo jejuará e se flagelará com pano de saco e cinza." Isso era para mostrar que ele deveria sofrer na mão deles. Como ele ordenou? Prestai atenção: "Tomai dois bodes bonitos e iguais, e oferecei-os em sacrifício. Que o sacerdote tome o primeiro como holocausto pelos pecados." E o que farão com o outro? Ele diz: "O outro é maldito." Notai como a figura de Jesus é manifestada. "Cuspi todos nele, transpassai-o, coroai sua cabeça com lã escarlate e, desse modo, seja expulso para o deserto." Feito isso, aquele que leva o bode o conduz ao deserto, tira-lhe a lã e a coloca sobre um arbusto chamado sarça, cujos frutos costumamos comer quando nos encontramos no campo. Somente os frutos da sarça são doces. O que significa isso? Prestai atenção: "O primeiro bode sobre o altar, o outro é maldito". Justamente o maldito é que é coroado. É que eles o verão, naquele dia, trazendo sobre sua carne o manto escarlate, e dirão: "Não é este que outrora crucificamos, depois de o ter desprezado, transpassado e cuspido? Na verdade, era este que então se dizia Filho de Deus." Qual a sua semelhança com aquele? São bodes "semelhantes", "belos", iguais, para que quando o virem então vir, fiquem espantados com a semelhança do bode. Eis, portanto, a figura de Jesus que devia sofrer. E por que se coloca a lã no meio dos espinhos? É uma figura de Jesus proposta para a Igreja: porque os espinhos são terríveis, aquele que quer pegar a lã escarlate deve sofrer muito, e deve apossar-se dela através da dor. Ele diz: "Dessa forma, aqueles que desejam ver-me e alcançar o meu Reino devem passar por tribulações e sofrimentos, para se apossar de mim."

CAPÍTULO 8
Sacrifício da novilha

E que figura pensais que representa o mandamento dado a Israel: os homens que têm pecados consumados ofereçam a novilha, a imolem e, depois queimem? Além disso, as crianças deviam recolher as cinzas, colocá-las nos vasos, enrolar a lã escarlate num pedaço de madeira - de novo aqui a imagem da cruz e a lã escarlate - e o hissopo. E assim, as crianças deviam aspergir todos os membros do povo, para que ficassem purificados dos pecados. Reconhecei como ele vos fala com simplicidade: a novilha é Jesus; os pecadores que a oferecem são aqueles que o conduziram para ser imolado. Basta com esses homens! Basta com a glória dos pecadores! As crianças que fazem a aspersão são aqueles que nos anunciaram a remissão dos pecados e a purificação do coração. A eles foi conferida a autoridade de anunciar o Evangelho, e são doze para testemunhar às tribos, pois as tribos de Israel eram doze. E por que são três crianças que fazem a aspersão? Para testemunhar Abraão, Isaac e Jacó, que são grandes diante de Deus. E a lã sobre o madeiro? Ela significa que o Reino de Jesus está sobre o madeiro e os que nele esperam viverão para sempre. Contudo, por que se põem juntos a lã e o hissopo? Porque no seu Reino haverá dias maus e poluídos, durante os quais seremos salvos. Com efeito, é pelo respingo poluído do hissopo que se cura aquele cuja carne está doente. E por isso que esses acontecimentos são tão claros para nós, mas para eles tão obscuros, pois eles não ouviram a voz do Senhor.

CAPÍTULO 9
A verdadeira circuncisão

Circuncisão do ouvido
De fato, é dos ouvidos que ele fala ainda, quando diz que circuncidou nossos ouvidos e nossos corações. O Senhor diz por meio do profeta: "Obedeceram-me com os ouvidos." E diz ainda: "Os que estão longe escutarão com o ouvido e conhecerão o que eu fiz". E mais: "Circuncidai vossos ouvidos, diz o Senhor." E diz também: "Escuta, Israel, eis o que diz o Senhor teu Deus: Quem deseja viver para sempre? Que ele escute com o ouvido a voz do meu servo." E diz ainda: "Escuta, ó céu; dá ouvidos, ó terra, pois o Senhor falou isso como testemunho." E diz mais: "Escutai a palavra do Senhor, príncipes deste povo." E diz ainda: "Filhos, escutai a voz que grita no deserto." Ele, portanto, circuncidou nossos ouvidos, para que escutemos a palavra e creiamos.

Circuncisão do coração
Contudo, a circuncisão, na qual eles depositavam confiança, foi rejeitada. De fato, ele dissera que a circuncisão não devia ser da carne, mas eles transgrediram, porque um anjo mau os enganou. Todavia, ele lhes diz: "Assim fala o Senhor vosso Deus" - é aí que encontro o mandamento -: "Não semeeis entre os espinhos, mas circuncidai-vos para o vosso Senhor." E o que diz ele? "Circuncidai a maldade do vosso coração." E diz ainda: "Eis, diz o Senhor, que todas as nações têm o prepúcio incircunciso, mas este povo tem o coração incircunciso."

Circuncisão de Abraão
Vós, porém, direis: "O povo recebeu a circuncisão como selo." Contudo, todos os sírios, os árabes e todos os sacerdotes dos ídolos também têm a circuncisão. Pertencem também eles à sua aliança? Até os egípcios praticam a circuncisão! Filhos do amor, aprendei mais particularmente estas coisas: Abraão, praticando por primeiro a circuncisão, circuncidava porque o Espírito dirigia profeticamente seu olhar para Jesus, dando-lhe o conhecimento das três letras. Com efeito, ele diz: "E Abraão circuncidou entre os homens de sua casa trezentos e dezoito homens." Qual é, portanto, o conhecimento que lhe foi dado? Notai que ele menciona em primeiro lugar os dezoito e depois, fazendo distinção, os trezentos. Dezoito se escreve: I, que vale dez, e H, que representa oito. Tens aí: IH(sous) = Jesus. E como a cruz em forma de T devia trazer a graça, ele menciona também trezentos (= T). Portanto, ele designa claramente Jesus pelas duas primeiras letras e a cruz pela terceira. Quem depositou em nós o dom do seu ensinamento sabe bem disto: Ninguém recebeu de mim ensinamento mais digno de fé. Sei, porém, que vós sois dignos.

 

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