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Vicariato
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Protopresbítero Michael Pomazansky Introdução Pessoas que são grandes em seu espírito Cristão, gloriosas em seu serviço à Igreja, faróis iluminando o mundo, deixam atrás de si uma memória que não é confinada a um estreito círculo de pessoas, mas que é conhecida por toda a Igreja, local ou universal. A confiança em que elas tenham atingido a glória do Senhor e no poder das orações delas, mesmo depois da morte, torna-se tão forte e inquestionável que o pensamento dos irmãos delas na terra não é mais dirigido nas orações para a remissão dos pecados delas (já que elas são santas diante do Senhor sem isso), mas para a louvação de suas lutas, na aceitação de suas vidas como modelos para as nossas, e pedindo suas orações por nós. Em testemunho em profunda certeza da Igreja que o homem justo que repousa está com o Senhor, no coro dos santos na Igreja do céu, ela compõe um ato de "numerá-lo entre os santos," ou de "glorificação." Com isso a Igreja dá a sua benção para a mudança de orações pelo que repousa por orações pedindo para nós a piedosa assistência dele diante do trono de Deus. A voz unânime da Igreja expressada pelos lábios de seus hierarcas, a voz conciliatória, confirma a convicção de seus membros comuns sobre a santidade do homem justo. Esse é, em essência, o ato de glorificação em si. Nada na Igreja deve ser arbitrário, mas "apropriado e ordenado." A preocupação da Igreja com relação a isso é expressa pelo oferecimento de uma oração de súplica uniforme para o justo. Em tempos de comemoração da partida de um justo alguns não vão além dos imites de uma província particular. Outros santos de Deus tornam-se famosos e renomados por toda a Igreja ainda durante sua atividade terrestre; eles são a glória da Igreja e mostram serem os pilares dela. Uma resolução eclesiástica de sua glorificação confirma essa comemoração para sempre no domínio apropriado, isto é, na Igreja local que fez a resolução, ou em toda Igreja universal. A assembléia dos santos na Igreja celeste de todos os tempos é grande e além de enumeração. Os nomes de certos santos são conhecidos na terra; outros permanecem desconhecidos. Os santos são como estrelas — quanto mais perto estão de nós mais claramente são vistos; no entanto, incontáveis pontos de luz existem no espaço que estão fora do alcance da vista humana. Assim, nas comemorações da Igreja, santos são glorificados em grandes grupos e em assembléias inteiras, assim como individualmente. Tais são as comemorações de mártires que foram mortos às centenas ou milhares, os Padres dos Concílios Ecumênicos, e finalmente a celebração geral de "todos os santos" tanto anual (primeiro Domingo após Pentecostes; o segundo Domingo após Pentecostes para todos os santos da Rússia), quanto semanal (todos os sábados). Como ocorreu e ocorre a glorificação dos grandes e gloriosos hierarcas, ascetas e outros reconhecidos com santos da Igreja? Na base de que princípios, com que critérios, e com que rito — nos casos gerais e individuais? Pesquisa feita pelo Professor Golubinsky, "A Historia da Canonização de Santos na Igreja Russa" (2ª Edição, Moscou, University Press, 1903), é dedicada a essa questão. Na exposição que se segue nós iremos, na maior parte, fazer uso do tratado do Professor Golubinsky. Enquanto usando o termo canonização de santos, o Professor Golubinsky admite nas primeiras linhas de seu livro, que apesar desse termo ser derivado etimologicamente da palavra grega cânon, ele forma uma parte da terminologia da Igreja Latina e não é empregue pelos Ortodoxos gregos. Essa é uma indicação de que nós não precisamos usá-lo; e de fato, em seu próprio tempo o Professor Golubinsky foi recriminado por usá-lo com muita freqüência, especialmente porque o espírito e caráter da glorificação Ortodoxa é algo diferente da canonização da confissão romana. A canonização da igreja de Roma em sua forma contemporânea consiste em uma solene proclamação pelo Papa: "Nós resolvemos e determinamos que o Abençoado N. é santo, e nós entramos com ele no catálogo de santos, ordenando que toda a igreja honre sua memória com reverência..." A maneira Ortodoxa de "numerá-lo no coro dos santos" não tem fórmula especial, mas seu sentido pode ser expresso assim: " Nós confessamos que N. esta no (numerado com...) o coro dos Santos de Deus." Testemunho
da Igreja Primitiva. É conhecido pela história que encontros de oração ocorriam em honra de mártires tão cedo como no primeiro quarto do segundo século (conforme São Inácio de Antioquia). Com toda probabilidade elas começaram imediatamente após a primeira perseguição de Cristãos — a de Nero. É aparente que não foi necessário nenhum decreto eclesiástico especial para a veneração deste ou daquele mártir particular. A morte do mártir em si testemunhava a recepção de coroa celeste. Mas a enumeração dos hierarcas e ascetas que haviam partido para o coro dos santos era feita individualmente, e era levada em conta naturalmente a dignidade pessoal de cada um. É
impossível dar uma resposta geral sobre que critério
a Igreja empregou para o reconhecimento dos santos pertencentes
a essa terceira categoria. Com respeito aos ascetas em particular,
sem dúvida a base geral, fundamental de sua glorificação
foi e ainda é a realização de milagres. Isso
porque a evidência sobrenatural é livre de caprichos
ou induções humanas. O Professor Golubinsky considera
essa a única base para a glorificação de ascetas
na história da canonização eclesiástica.
Apesar de sua opinião, no entanto, pode-se concluir que a
comemoração dos grandes Cristãos moradores
no deserto do passado, os líderes e guias do monasticismo
foram mantidos pela Igreja, por seus dons didáticos e seus
elevados resultados espirituais alcançados, à parte
da estrita dependência deles terem realizado milagres ou não
para serem glorificados. Eles foram enumerados entre o coro dos
santos estritamente por suas vidas ascéticas, sem nenhuma
referência ao critério de terem feito milagres. A antiga glorificação da Igreja de santos hierarcas deve ser vista de modo um pouco diferente. Os elevados serviços deles em si formaram a base para sua glorificação, assim como a morte em martírio era para os mártires. No Calendário de Cartago, que data do século sétimo, há uma inscrição: "Aqui estão marcados os dias de nascimento (isto é, data do martírio) dos mártires e os dias de repouso dos bispos cuja comemoração anual a Igreja de Cartago celebra." Assim, julgando pelos antigos calendários litúrgicos gregos, pode-se suspeitar que na Igreja Grega todos os bispos Ortodoxos que não se maculavam de modo algum, eram enumerados entre o coro dos santos locais da diocese deles, na base da crença de que como intercessores diante de Deus nesse mundo por suas vocações, eles continuariam como tais mesmo na vida depois do túmulo. Nos calendários eclesiásticos do Patriarcado de Constantinopla, todos os patriarcas que ocuparam aquela sé de 315 a.D. (S. Mitrophan) até 1025 (S. Eustatius), com exceção daqueles que foram heréticos ou por uma ou outra razão canônica foram depostos, são registrados na lista de santos. Essa compilação, no entanto, quase não levou em consideração a seqüência em que os patriarcas ocuparam a sé. Com toda probabilidade, os bispos mais renomados foram reconhecidos como santos logo após seu repouso; nos outros casos a inclusão foi feita algum tempo depois. Os nomes de todos os bispos deram entrada em dípticos locais—a lista dos que partiram que era lida alta nos ofícios divinos, e todo ano, na data do repouso de cada um deles, era celebrada a sua comemoração com especial solenidade. Sozomen, o historiador de Igreja, afirma que em igrejas ou dioceses individuais, a celebração dos mártires locais e a comemoração dos sacerdotes anteriores (isto é, hierarcas) eram realizadas. Aqui o uso do termo "celebração" com referência a memória dos mártires, mas "comemoração" com referência aos hierarcas, dá margem a ser entendido que na Igreja primitiva esses últimos eventos (se se deve falar de um plano geral e não de casos individuais) eram de menor estatura que os primeiros. O Professor Golubinsky conjectura que, com respeito a hierarcas, depois de alguns anos de fervorosas orações por eles, a celebração anual de sua memória era transformada em um dia de orações para eles. De acordo com o testemunho de Simeão de Tessalônica, desde os primeiros tempos em Constantinopla, os hierarcas eram enterrados dentro do santuário da maior das igrejas, a dos Apóstolos, como as relíquias dos santos, por conta da Graça do divino sacerdócio. Na Igreja Grega, até o século onze, muito poucos do coro dos hierarcas eram santos universalmente venerados pela Igreja toda. A maior parte dos hierarcas permaneceu santo só em suas próprias Igrejas individuais (isto é, dioceses) e cada diocese individual / Igreja celebrava somente seus hierarcas locais, com um número pequeno de hie |