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   A Sempre-Virgem Mãe de Deus

Arcipreste George Florovsky
Tradução: Rev. Pedro Oliveira Junior.

Conteúdo:
O ensinamento a respeito da Virgem Maria. A natureza de Cristo. Uma relação única. A eleição Divina. Cumpra-se em mim segundo a tua palavra. Uma descendente de Eva também. A perfeição pessoal dela. A Mãe de nós todos.

O ensinamento a respeito da Virgem Maria.
Todo ensinamento dogmático a respeito da Virgem Maria pode ser condensado nesses dois nomes dela: a Mãe de Deus (Theotokos) e a Sempre-Virgem (aiparthenos). Ambos nomes têm a autoridade formal da Igreja, uma autoridade ecumênica de fato. O Nascimento Virgem é plenamente atestado no Novo Testamento e tem sido parte integral da tradição Católica desde sempre. "Encarnado pelo Espírito Santo no seio de Maria Virgem" (ou "Nascido de Maria Virgem") é uma frase do Credo. Não é meramente uma declaração do fato histórico. É precisamente uma declaração do Credo, uma solene profissão de fé. O termo "Sempre-Virgem" foi formalmente endossado pelo Quinto Concílio Ecumênico (553). E Theotokos é mais do que um nome ou título honorífico. É mais uma definição doutrinal em uma palavra. Tem sido uma pedra-de-toque da verdadeira fé e um sinal distintivo da Ortodoxia mesmo antes do Concílio de Éfeso (432).

Já São Gregório de Nazianzo previne Cledonius: "se alguém não reconhece Maria como Theotokos, ele é estranho à Deus" (Epíst. 101). Como questão de fato, o nome foi amplamente usado pelos Padres do século quarto e possivelmente até do terceiro (por Orígenes, por exemplo, se nós pudermos confiar em Sócrates, Hist. Eccles., VII, 32, e os textos preservados em Catenas, por exemplo In Lucan Hom. 6 e 7 , ed. Rauer, 44. 10 e 50. 9). Esse termo já era tradicional quando ele foi contestado e repudiado por Nestorius e seu grupo. A palavra não ocorre na Escritura, assim como o termo omousios (coessencial) também não ocorre. Mas seguramente, nem em Nicéia nem em Éfeso a Igreja estava inovando ou impondo um novo artigo de fé. Uma palavra "não escritural" foi escolhida e usada, precisamente para dar voz e salvaguardar a crença tradicional e a convicção comum de séculos. É verdade, lógico, que o Terceiro Concílio Ecumênico estava preocupado principalmente com o dogma Cristológico e por isso não formulou nenhuma doutrina Mariológica especial.

Mas precisamente por essa mesma razão foi verdadeiramente notável que um termo mariológico tenha sido selecionado e colocado como o teste definitivo da Ortodoxia Cristológica, para se usado, como se fosse, como uma contrassenha doutrinal na discussão de Cristologia. "Esse nome," diz São João Damasceno, "contém todo mistério da Encarnação" (De Fide Orthod., 3. 12). O motivo e o propósito de tal escolha são óbvios. A doutrina Cristológica nunca poderá ser acurada e adequadamente estabelecida a menos que um ensinamento muito definido sobre a Mãe de Cristo tenha sido incluído. De fato, todas as dúvidas mariológicas e erros dos tempos modernos dependem, em última análise, precisamente de uma completa confusão Cristológica. Eles revelam uma desesperança no ‘conflito na Cristologia.’

Não há espaço para a Mãe de Deus numa "Cristologia reduzida." Os teólogos protestantes simplesmente não têm nada a dizer a respeito dela. No entanto, ignorar a Mãe significa mal interpretar o Filho. De outro lado, a pessoa da Bendita Virgem pode ser apropriadamente entendida e descrita corretamente somente numa colocação e contexto Cristológico. Mariologia tem que ser um capítulo no tratado da Encarnação, nunca sendo estendido em um "tratado" independente. Não, lógico, num capítulo opcional ou ocasional, não num apêndice. Ela pertence ao próprio corpo da doutrina. O mistério da Encarnação inclui a Mãe do Encarnado. Algumas vezes, no entanto, essa perspectiva Cristológica tem sido obscurecida por um exagero devocional, por um pietismo desbalanceado. Piedade tem que ser sempre guiada e conferida por dogma. De novo, deve haver um capítulo Mariológico no tratado da Igreja. Mas a doutrina da Igreja em si não é mais do que uma "Cristologia estendida," a doutrina do "Cristo total," totus Christus, caput et corpus.

A natureza de Cristo.
O nome Theotokos enfatiza o fato de que a Criança Que nasceu de Maria não foi um "simples homem," não uma pessoa humana, mas o Filho Único-gerado de Deus, "Um da Santíssima Trindade," ainda que Encarnado. Essa é obviamente a pedra-de-toque da fé Ortodoxa. lembremos da fórmula de Calcedônia: "Seguindo, então, os santos Padres, nós confessamos um e o mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo...gerado do Pai como Divindade antes de todos os séculos, mas nos últimos dias, para nós e para nossa salvação, o próprio, nascido de Maria, a Virgem Mãe de Deus, como Homem [a tradução para o inglês é do Dr. Bright]. Toda ênfase é absoluta identidade da Pessoa: o Mesmo, o Próprio, unus idemque em São Leão. Isso implica numa geração dupla do Verbo divino (mas enfaticamente não uma duplicidade de Filho: essa seria precisamente a perversão Nestoriana). Não há mais do que um só Filho: o Um nascido da Virgem Maria é no mais completo sentido possível o Filho de Deus. Como diz São João Damasceno, a Santa Virgem não deu à luz "um homem comum, mas o verdadeiro Deus," contudo "não nu, mas encarnado." O Mesmo, Que por toda eternidade nasceu do Pai, "nesses últimos dias" nasceu da Vigem, "sem qualquer modificação" (De Fide Orth., 3. 12). Não há aqui confusão de naturezas. A "segunda" é justamente a Encarnação. Nenhuma pessoa nova veio a ser quando o Filho de Maria foi concebido e nasceu, mas sim o Filho Eterno de Deus Que foi feito homem. Isso constitui o mistério da divina Maternidade da Virgem Maria. Pois realmente Maternidade é uma relação pessoal, uma relação entre pessoas. Mas, o Filho de Maria foi, na realidade, uma Pessoa divina. O nome Theotokos é uma conseqüência inevitável do nome Theanthropos, o Deus-Homem. Ambos permanecem e caem juntos.

A doutrina da União Hipostática implica em e exige a concepção da divina Maternidade. O mistério da Encarnação tem sido tratado nos tempos moderno com muita infelicidade, com muita freqüência de uma maneira completamente abstrata, e como se fosse não mais do que um problema metafísico ou mesmo um enigma dialético. Se é complacente muito facilmente com a dialética do Finito e Infinito, do Temporal e do Eterno, etc., como se eles não fossem mais do que termos de uma relação lógica ou metafísica. Pode-se assim correr o risco de olhar por cima e perder o verdadeiro foco: a Encarnação foi precisamente um ato poderoso do Deus Vivo, Sua intervenção mais pessoal na existência das criaturas, na verdade, a "descida" de uma Pessoa divina, de Deus em pessoa. De novo, há um sutil mas real sabor docético em muitas tentativas recentes de recolocar a fé tradicional nos tempos modernos. Há uma tendência de superenfatizar a iniciativa divina na Encarnação em tal extensão que a vida histórica co Encarnado em si empalidece dentro do "o Incógnito do Filho de Deus." A identidade direta do Jesus da história e do Filho de Deus é explicitamente negada. O impacto todo da Encarnação é reduzido a símbolos: o Senhor Encarnado é entendido mais com um expoente de algum augusto princípio ou idéia (seja ela Ira de Deus ou Amor, Cólera ou Alegria, Julgamento ou Perdão) do que como uma Pessoa viva. Em ambos os casos as implicações pessoais do Encarnado são olhadas superficialmente ou negligenciadas — quero dizer, nossa adoção na verdadeira filiação de Deus no Senhor Encarnado. Mas , algo muito real e definitivo aconteceu com os homens e para os homens quando o Verbo de Deus "Se fez carne e habitou entre nós," ou ainda "tomou Sua morada no meio de nós" — uma virada muito pictórica de fato: eskinosen em imim (Jo. 1:14).

Uma relação única.
"Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher,..." (Gal. 4:4). Essa é uma afirmação escriturística do mesmo mistério com que os Padres estiveram se debatendo em Calcedônia. Mas, qual é o completo significado e propósito da frase: "nascido de mulher"? Maternidade, em geral, não é de modo nenhum exaurida pelo mero fato da procriação física. Seria uma lamentável cegueira se nós ignorássemos o seu aspecto espiritual. De fato, a procriação em si estabelece uma íntima relação espiritual entre a mãe e a criança. Essa relação é única e recíproca, e sua essência é afeição ou amor. Estamos nós autorizados a ignorar essa implicação do fato que nosso Senhor "nasceu da Virgem Maria"? Seguramente, nenhuma redução docética é permissível nesse caso, assim como qualquer aspecto docético deve ser evitado em qualquer outro lugar da Cristologia. Jesus era (e é) o Deus Eterno, e no entanto Encarnado, e Maria foi Sua Mãe no mais completo sentido. De outra forma a Encarnação não teria sido genuína. Mas isso significa precisamente que para o Senhor Encarnado há uma particular pessoa humana com quem Ele tem uma relação muito especial, — em termos precisos, uma para quem Ele não é somente o Senhor e Salvador, mas também Filho.

De outro lado, Maria foi a verdadeira mãe de sua Criança — a verdade de sua maternidade humana não é de menor relevância e importância que o mistério de sua maternidade divina. Mas a Criança era divina. Ainda assim as implicações espirituais de sua maternidade não pode ser diminuída pelo caráter excepcional do caso, nem poderia Jesus falhar em ser verdadeiramente humano em Sua resposta filial para a afeição maternal daquela de quem Ele nasceu. Essa não é uma vã especulação. Seria impertinente de fato se intrometer no sagrado campo dessa intimidade sem paralelo entre a Mãe e a divina Criança. Mas seria ainda mais impertinente ignorar o mistério. Em todo caso, teria sido uma idéia muito pobre se olhar para a Virgem Mãe meramente como um instrumento para nosso Senhor tomar carne. Além disso, tal má interpretação está formalmente excluída pelo ensinamento explícito da Igreja, atestado desde os primeiros tempos: ela não foi simplesmente um "canal" através do qual o Senhor Celestial veio, mas verdadeiramente a mãe de quem Ele tomou Sua humanidade. São João Damasceno sumariza precisamente nessas palavras o ensinamento Católico: Ele não veio como se fosse "através de um tubo," mas assumiu dela (eks avtis), uma natureza humana consubstancial à nossa (De Fide Orth., 3,12).

A eleição Divina.
Maria "achou graça diante de Deus" (Lucas 1:30). Ela foi escolhida e ordenada para servir no mistério da Encarnação. E por esse mistério eterno ou predestinação ela foi num certo sentido posta à parte e recebeu um privilegio e posição únicos no todo da humanidade, não só isso, mas no todo da criação. Foi-lhe dado um nível, como se fosse, transcendente. Ela foi ao mesmo tempo uma representante da raça humana e posta à parte. Há uma antinomia aqui, implicada na divina eleição.Ela foi posta à parte. Ela foi posta numa relação única e sem paralelo com Deus, com a Santíssima Trindade, mesmo antes da Encarnação, como a Mãe prospectiva do Senhor Encarnado, simplesmente porque não foi um acontecimento histórico ordinário, mas uma momentosa consumação do decreto eterno de Deus. Ela tem uma posição única mesmo no divino plano de salvação. Através da Encarnação a humanidade foi restaurada no companheirismo com Deus que havia sido destruído e abrogado pela Queda. A sagrada humanidade de Jesus foi a ponte sobre o abismo do pecado. Porém, essa humanidade foi tomada da Virgem Maria. A Encarnação em si foi um novo começo no destino do homem, o começo de uma nova humanidade.

Na Encarnação o "novo homem" nasceu, o "Último Adão," Ele foi verdadeiramente homem, mas Ele foi mais do que um homem: ‘...o segundo homem, o Senhor é do céu" (1 Cor. 15:47). Como Mãe desse "Segundo Homem," a própria Maria esteve participando do mistério da recriação redimidora do mundo. Seguramente, ela tem que ser contada entre os redimidos. Ela obviamente estava necessitada de salvação. Seu Filho é seu Redimidor e Salvador, assim como Ele é o Salvador do mundo. No entanto, ela é o único ser humano de quem o Redimidor do mundo é também Filho, sua própria Criança a quem ela verdadeiramente deu à luz. Jesus, na verdade, nasceu ‘...nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus" (Jo. 1:13; esse versículo se relaciona tanto à Encarnação quanto à regeneração batismal), mas ainda assim Ele é "o fruto do ventre" de Maria. Seu nascimento sobrenatural é o padrão e a fonte da nova existência, do novo e espiritual nascimento de todos os fiéis, que nada mais é do que uma participação em Sua sagrada humanidade, uma adoção na filiação de Deus — no "segundo homem’, no "último Adão."

A Mãe do "segundo homem" necessariamente tem seu caminho próprio e peculiar na nova vida.Não é muito se dizer que para ela a Redenção foi, num certo sentido, antecipada pelo fato da própria Encarnação, — e antecipada de maneira peculiar e pessoal. "Descerá sobre ti o Espírito Santo e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra..." (Lucas 1:35). Essa foi uma verdadeira "presença teofânica" — na totalidade da graça e do Espírito. A "sombra’ é exatamente um símbolo teofânico. E Maria ficou verdadeiramente "cheia de graça," gratia plena, keharitomeni. A Anunciação foi, para ela, como se fosse, um Pentecostes antecipado. Somos forçados a arriscar esse ousado paralelismo pela lógica inescrutável da eleição divina. Pois de fato não podemos olhar a Encarnação simplesmente como um milagre metafísico que não se relacionaria com o destino pessoal e existência das pessoas envolvidas. O homem nunca é tratado por Deus como se não fosse mais do que uma ferramenta nas mãos do mestre. Pois o homem é uma pessoa viva. De maneira nenhuma poderia ser simplesmente uma graça "instrumental," quando Maria foi "ensombrada" com o poder do Altíssimo. A posição única da Virgem Maria não é, obviamente, sua conquista própria, nem simplesmente uma "recompensa" por seus "méritos" — nem mesmo, talvez, a totalidade da graça foi dada a ela em "previsão" de seus méritos e virtudes. Isso foi supremamente o dom livre de Deus , no mais estrito sentido — gratia gratis data. Foi uma eleição absoluta e eterna, apesar de não incondicional — pois ela foi condicionada por e relacionada ao mistério da Encarnação. Maria sustenta sua posição única e tem uma "categoria dela própria" não como simples Virgem, mas com a Virgem-Mãe, parthenomitir,como a predestinada Mãe do Senhor. Sua função na Encarnação foi dupla. De um lado, ela assegura a continuidade da raça humana. Seu Filho é, em virtude de Seu "segundo nascimento," o Filho de Davi, o Filho de Abrahão e de todos os "antepassados" (isso é enfatizado pelas genealogias de Jesus, em ambas versões).

Na frase de santo Irineu, Ele "recapitulou em si próprio os longos anais da humanidade" (Adv. Haeres., 3, 18, 1: longam hominum expositionem in se ipso recapitulavit), "reunindo em si próprio todas as nações, dispersas como estavam desde Adão" (ibid 3, 22, 3) e "tomou sobre Si o modo velho da criação" (ibid 4, 23, 4). Mas, de outro lado, Ele "exibiu um novo tipo de geração" (ibid 5, 1, 3). Ele foi o Novo Adão. Essa foi a mais drástica quebra de continuidade, a verdadeira reversão do prévio processo. Essa "reversão" começa precisamente com a Encarnação, com a Natividade do "Segundo Homem." Santo Irineu fala de uma "recirculação" — de Maria para Eva (3, 22, 4). Como a Mãe do Novo Homem Maria teve a sua participação antecipada nessa completa novidade.

Por certo, Jesus o Cristo é o único Senhor e Salvador. Mas Maria é Sua Mãe. Ela é a estrela da manhã que anuncia o nascer do sol., o nascer do verdadeiro Sol salutis: astir emfenon ton Ilion. Ela é "a aurora do dia místico," (ambas as frases são do hino Akatiste). E em certo sentido, até a Natividade de nossa Senhora em si, pertença ao mistério da salvação. "O teu nascimento,ó Puríssima Virgem Mãe de Deus, anunciou a alegria a todo o universo, pois de ti nasceu o Sol de Justiça, o Cristo nosso Deus..." (tropário da Natividade da Virgem Maria). O pensamento Cristão move-se sempre na dimensão de personalidades, não no reino de idéias gerais. Ele compreenda o mistério da Encarnação como um Mistério da Mãe e da Criança. Essa é a salvaguarda definitiva contra qualquer docetismo abstrato. É uma salvaguarda de solidez evangélica. O ícone tradicional da Abençoada Virgem, na tradição Oriental, é precisamente um ícone de Encarnação: a Virgem está sempre com o Bebê. E seguramente nenhum ícone de Encarnação é possível sem a Virgem Mãe.

Cumpra-se em mim segundo a tua palavra.
De novo, a Anunciação é "o começo da nossa salvação e a revelação do mistério eterno : o Filho de Deus torna-Se Filho da Virgem e Gabriel anuncia a graça..." (Tropário da Festa da Anunciação). A vontade divina foi declarada e proclamada pelo Arcanjo. Mas a Virgem não ficou silenciosa. Ela respondeu para o chamado divino, com humildade e fé. "Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra...." A vontade divina é aceita e correspondida. E essa resposta humana é altamente relevante nesse ponto. A obediência de Maria contrabalança a desobediência de Eva. Nesse sentido a Virgem Maria é a Segunda Eva, como seu Filho é o Segundo Adão.

Esse paralelo foi feito bastante cedo. A primeira testemunha é São Justino (Dial., 100) e em São Irineu nós já encontramos uma concepção elaborada, organicamente ligada com sua idéia básica de recapitulação. "Como Eva foi seduzida pela conversa de um anjo, como para fugir de Deus, transgredindo Sua palavra, assim também Maria recebeu as boas-novas por meio de uma conversa de um anjo, como para carregar Deus dentro dela, sendo obediente à Sua palavr