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A Catolicidade da Igreja - Parte 1
Arcipreste George Florovsky
Tradução: Rev.
Pedro Oliveira Junior.
A
união teantrópica e a Igreja.
Cristo conquistou o mundo. Essa vitória consiste em Ele ter
criado Sua própria Igreja. No meio da vaidade e pobreza,
da fragilidade e sofrimento da história humana, Ele lançou
as fundações de um "novo ser." A Igreja
é o trabalho de Cristo na terra; ela é a imagem e
moradia de Sua abençoada Presença no mundo. E no dia
de Pentecostes o Espírito Santo desceu sobre a Igreja, que
estava então representada pelos doze Apostolos e por aqueles
que estavam com eles. Ele entrou no mundo para morar conosco e agir
mais completamente do que jamais havia agido anteriormente: "porque
o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus
não ter sido glorificado" (João 7:39). O Espírito
Santo desceu uma vez e para sempre. Esse é um tremendo e
insondável mistério. Ele vive e habita incessantemente
na Igreja. Na Igreja nós recebemos o Espírito de adoção
(Rom. 8:15). Alcançando e aceitando o Espírito Santo
nós nos tornamos inteiramente de Deus. Na Igreja nossa salvação
é aperfeiçoada; a santificação e transfiguração,
a theosis da raça humana é completada.
Extra
Ecclesiam nulla salus: (Fora da Igreja não há
salvação). Toda categórica força e ponto
desse aforismo está em sua tautologia (redundância).
Fora da Igreja não há salvação, porque
salvação está na Igreja. Pois salvação
é a revelação do caminho para todos que acreditam
no nome de Cristo. Essa revelação só é
encontrada na Igreja. Na Igreja, assim como no Corpo de Cristo,
em seu organismo teantrópico, o mistério da encarnação,
o mistério das "duas naturezas," unidas indissoluvelmente,
é continuamente realizado. Na Encarnação do
Verbo está a totalidade da revelação, a revelação
não só de Deus, mas também do homem. "Pois
o Filho de Deus tornou-se o Filho do homem," escreve são
Irineu, "para que o homem também possa transformar-se
no filho de Deus." (Adversus Haerethics. 3:10, 2). Em Cristo,
como Deus-Homem, o significado da raça humana não
só é revelado como cumprido. Em Cristo a natureza
humana e aperfeiçoada, é renovada, reconstruida, criada
nova. O destino humano encontra seu objetivo, e dai para frente,
de acordo com as palavras do apóstolo," está
escondida com Cristo em Deus" (Coloss. 3:3). Nesse sentido
Cristo é "o Último Adão" (1 Cor.
15:45), um verdadeiro homem. Nele está a medida e o limite
da vida humana. Ele ressuscitou "feito as primicias dos que
dormem" (1 Cor 15:20). Ele ascendeu ao céu, e sentou-se
á direita de Deus. Sua Glória é a glória
de toda existência humana. Cristo entrou na glória
pré-eterna; Ele entrou nela como homem e tem chamado o gênero
humano todo para habitar com Ele e Nele. "Deus, sendo riquíssimo
em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando
nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente
com Cristo ... e nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar
nos lugares celestiais, em Cristo Jesus" (Efe. 2:4-6). Ai reside
o mistério da Igreja como Corpo de Cristo. A Igreja é
plenitude, (pleroma) isto é, completamento. Dessa
maneira São João Crisóstomo explica as palavras
do Apóstolo: "A Igreja é o completamento de Cristo
da mesma maneira que a cabeça completa o corpo e o corpo
é completado pela cabeça. Por ai nós comprendemos
porque o Apóstolo vê que Cristo, como a Cabeça
precisa de todos os seus membros. Porque se muitos de nós
não fossemos, um a mão, outro o pé, outros
ainda outros membros, Seu corpo não estaria completo. Assim
Seu corpo é formado de todos os seus membros. Isso significa,
"Que a cabeça estará completa, somente quando
o corpo é perfeito; quando nós todos estivermos mui
firmemente unidos e reforçados (em Homilia aos Efésios
3, 2; Migne, P. 1xii.c.26). O Bispo Teófano repete a explicação
de Crisóstomo. "A Igreja é a plenitude de Cristo
da mesma maneira que a árvore é a plenitude do grão.
Tudo que está contido no grão de maneira condensada,
recebe seu completo desenvolvimento na árvore ... Cristo
em si é completo e todo-perfeito, mas ainda assim ele puxou
a humanidade para Si em plenitude final. É só gradualmente
que o genero humano entra em Comunhão com Ele e assim dá
uma nova plenitude para Seu trabalho, que por ai atinge seu total
completamento (explicação da Epistola aos Efésios,
M. 1893, 2. pgs 93-94. Para o mesmo ponto de vista, ver o reverendissimo
J Armitage Robinson, St. Paul's Epistle to the Efesians, pgs 44-45,
I. 403; edição sintética pgs. 57-60).
A
Igreja é ela própria plenitude; é a continuação
e realização da união teantrópica. A
Igreja é o genero humano transfigurado e regenerado. O significado
dessa regeneração e transfiguração é
que na Igreja o gênero humano torna-se uma unidade, "em
um corpo" (Efe. 2:16). A vida na Igreja é unidade e
união. O corpo é "ligado junto" e "cresce"
(Col. 2:19) em unidade de espirito, em unidade de amor. O reino
da Igreja é unidade. E certamente essa unidade não
é externa, mas é interna, íntima, orgânica.
Ela é a unidade do corpo vivo, a unidade do organismo. A
Igreja é uma unidade não só no sentido de que
ela é una e única; ela é uma unidade, antes
de tudo, porque seu verdadeiro ser consiste em reunir a separada
e dividida raça humana. É essa unidade que é
a "sobornost" ou catolicidade da Igreja.Na Igreja a humanidade
passa para outro plano começa uma nova maneira de existência.
Uma nova vida torna-se possível, uma verdadeira, total e
completa vida, uma vida católica, "na unidade do Espírito,
pelo vinculo da paz" (Efe. 4:3). Uma nova existência
começa, um novo princípio de vida, "Como Tu,
ó Pai, o és em Mim, e Eu em Ti; que também
eles sejam um em Nós ... para que sejam um, como Nós
somos um" (Jo 17:21-22).
Este
é o mistério da reunião final na imagem da
Unidade da Santíssima Trindade. Ela é realizada na
vida e construção da Igreja, ela é o mistério
da sobornost, o mistério da catolicidade.
A
Qualidade Interior da Catolicidade.
A catolicidade da Igreja não é um conceito quantitativo
ou geográfico. Ele não depende em nada da dispersão
dos fiéis pelo mundo todo. A universalidade da Igreja é
a conseqüência ou a manifestação, mas não
a causa ou a base de sua catolicidade. A extensão por todo
o mundo ou a universalidade da Igreja é só um sinal
exterior, sinal que não é absolutamente necessário.
A Igreja era católica mesmo quando as comunidades cristãs
não eram mais do que raras ilhas num mar de descrença
e paganismo. E a Igreja permanecerá católica mesmo
até o final dos tempos quando o mistério do "desfigurar-se"
será revelado, quando a Igreja mais uma vez diminuirá
para um "pequeno rebanho." "Quando porém vier
o Filho do Homem, porventura achará fé na terra?"
(LC 18-8). O Metropolita Philaret expressou-se mui adequadamente
nesse ponto: "Se uma cidade ou pais afasta-se da Igreja universal,
esta ainda permanecerá um corpo integral e imperecível."
(Opiniões e afirmações de Philaret, Metropolita
de Moscou, a respeito da Igreja Ortodoxa no Oriente, São
Petersburgo, 1886, p. 53). Philaret usa aqui a palavra "universal"
no sentido de catolicidade. Esse conceito não pode ser medido
por sua expansão pelo mundo todo; universalidade não
expressa esse conceito exatamente. Katholikê vindo
de Kath e hólos significa, antes de tudo, a
totalidade e integralidade internas da vida da Ingreja. Nós
estamos falando aqui de totalidade, não só de comunhão,
e de modo nenhum de uma simples comunhão empírica. Katholikê não é o mesmo que Katapantós;
esse conceito de catolicidade não pertence ao plano fenomenológico
ou empírico mas ao plano nouético (intelectual e intuitivo)
e ontológico; ele descreve a essência em si, não
as manifestações externas. Nós podemos verificar
isso já no uso pré-cristão dessa palavaa, começando
por Sócrates. Se catolicidade também significa universalidade,
esta não é certamente uma universalidade empírica
mas sim ideal; a comunhão de idéias, não de
fatos, é o que ela tem em vista. Os primeiros Cristãos
quando usando as palavras 'Ekklisía Katholikí’
nunca quiseram que isso significasse uma Igreja mundial. Essa palavra
dá mais proeminência à ortodoxia da Igreja,
à verdade da "Grande Igreja," em contraste com
o separatismo e particularismo sectários; era a idéia
de integridade e pureza que era expressa. Isso foi afirmado com
muita força nas bem conhecidas palavras de Santo Inacio de
Antioquia: "Onde há um bispo, que haja ali uma completa
multidão; assim como onde Jesus Cristo está, ali também
está a Igreja Católica" (Ignatius Smyrn. 8:2).
Essas palavras expressam a mesma idéia que a da promessa:
"Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome,
aí, estou eu no meio deles (Mt 18:20). É esse mistério
de reunirem-se (Mystírion tis sinakseos) que a palavra
catolicidade expressa. Mais tarde São Cirilo de Jerusalém
explica a palavra "catolicidade" que é usada no
Credo na maneira tradicional de sua Igreja. A palavra "Igreja"
significa "reunião de todos em uma união";
porisso ela é chamada de "reunião" (Ekklesía).
A Igreja é chamada católica, por que ela se espalha
por todo o universo e submete a totalidade da raça humana
à justiça, porque na Igreja, também os dogmas
são ensinados "totalmente, sem qualquer omissão,
catolicamente e completamente" porque, de novo, na Igreja todo
tipo de pecado é curado e sarado" (Cathech. 18:23 Migne
p.g. 33 c. 1044). Aqui, novamente catolicidade é entendida
como uma qualidade interior. Só no Ocidente, durante a luta
contra os donatistas a palavra "católica" foi usada
no sentido de "universal," em oposição ao
provincialianismo geográfico dos donatistas (cf. Pierre Batifoll,
Le Catholicisme de St. Augustin, I; Paris, 1920, p. 212. —
Rappelons que le nom 'Catholique' a servi à qualifier la
Grande Eglise par opposition aux hérétiques...Le nom
est vraisemblablement de creation populaire e apparait en orient
au second siecle. Les tractatores du 4. siècle, que lui cherchent
une signification étymologique et savante, veulent y voir
l'expression soit de la perfection intégrale de la foi de
l'Eglise, soit du fait que l'Eglise ne fait pas acception de personnes
de rang, du culture, soit enfin et surtout du fait que l'Eglise
est dans le mond entire d' uné extremité à
l'autre. Augustin ne veut connaître que ce dernier sens."
Cf. também Bispo Lightfoot, em sue edição de
St. Ignatius, v. 2 (Londres, 1889), p. 319. Nota ad Loc. A história
do uso Cristão e pré-Cristão dos termos ekklisía
katholikí e katholikos geralmente em várias
colocações merece estudo cuidadoso; aparentemente
não existiram investigações especiais sobre
o assunto. Em russo, deve ser feita referência ao, mui valioso,
apesar de não exaustivo e não sem falhas, artigo mais
recente do Professor M. D. Muretov no suplemento do seu livro Ancient
Jewish Prayers Ascribed to St Peter (Sergiev Posad, 1905). Ver também
Bispo Lightfoot, St. Ignatius, v. 2 (Londres, 1889), p. 310, nota).
Mais tarde, no Oriente, a palavra "católica" foi
entendida como sinônimo de "ecumênica." Mas
isso só limitou a concepção, tornando-a menos
vívida, porque ela chamou a atenção para a
parte exterior, e não para os conteudos interiores. De qualquer
forma a Igreja não é católica só por
conta de sua extensão externa, ou pelo menos, nõa
só por causa disso. A Igreja é católica não
só por causa de sua entidade totalmente abrangente, ou porque
une todos os seus membros, todas as Igrejas locais, mas sim porque
ela é católica em tudo, na sua menor parte, em todos
os atos e eventos de sua vida. A natureza de Igreja é católica;
a própria trama do corpo da Igreja é católica.
A Igreja é católica, ela é o Uno Corpo de Cristo;
ela é união em Cristo, unidade no Espírito
Santo-e essa unidade é a mais alta totalidade e plenitude.
O padrão da união católica é que "da
multidão dos que criam era um o coração e a
alma" (At. 4:32). Quando isso não ocorre, a vida da
Igreja é limitada e restrita. A união ontológica
de pessoas é, e deve ser efetuada em unidade com o Corpo
de Cristo; elas deixam de ser exclusivas e impenetráveis.
A fria separação entre "meu" e "teu"
desaparece.
O crescimento da Igreja está no aperfeiçoamento de
sua totalidade interior, de sua catolicidade interior na "perfeição
da totalidade"; "para que eles sejam perfeitos em unidade"
(Jo 17:23).
A transfiguração da personalidade.
A catolicidade da Igreja tem dois lados. Objetivamente, a catolicidade
da Igreja denota a unidade do Espírito. "Pois todos
nós fomos batizados em um Espírito formando um corpo"
(1 Co. 12:13). E o Espírito Santo que é um Espírito
de amor e paz, não só une individuos isolados, mas
também torna-se em cada alma separada a fonte de paz interior
e totalidade. Subjetivamente, a catolicidade da Igreja significa
que a Igreja é uma certa unidade de vida, uma irmandade ou
comunhão, uma união de amor, "uma vida em comum."
A imagem do Corpo é o comando do amor. "São Paulo
demanda tal amor de nós, um amor que nos uniria uns aos outros,
para que não mais fossemos separados uns dos outros ... São
Paulo demanda que nossa união seja tão perfeita como
é a dos membros de um corpo" (São João
Crisótomo, In Eph. Hom. 11.1, Migne, P.G. lxxii, c.79). A
novidade do comando de amor Cristão consiste no fato de que
nós devemos amar nosso próximo como a nós mesmos.
Isso é mais do que colocar o nosso próximo no mesmo
nível que o nosso, identificando-o conosco; significa ver
nosso próprio ser no outro, no amado, não no nosso
próprio ser...Aí está o limite do amor; o amado
é nosso "alter ego," um "ego" que é
mais caro a nós que o nosso próprio. Em amor nós
nos fundimos em um. "A qualidade do amor é tal que o
amante e o amado não são mais dois mas um só
ser" (Em 1 Cor. Hom. 33, 3, Migne, P.G. lxi. c. 280). Ainda
mais: O verdadeiro amor Cristão vê em cada um de nossos
irmãos "o Próprio Cristo." Tal amor demanda
auto-entrega, auto-dominio. Tal amor só é possivel
numa expansão e transfiguração católica
da alma. O comando para ser católico é dado para todos
os Cristãos. A medida de sua natureza humana espiritual é
a medida de sua catolicidade. A Igreja é católica
em cada um de seus membros, porque um todo católico não
pode ser construido ou composto de outra forma que não seja
através da catolicidade de seus membros. Nenhuma multidão,
com cada um de seus membros sendo isolados e impenetráveis,
pode se transformar numa irmandade. A união só pode
tornar-se possível através do mútuo amor fraterno
de todos os irmãos separados. Esse pensamento é expresso
mui vividamente na bem conhecida visão da Igreja como uma
torre que está sendo construida. (Comparar com o Pastor de
Hermas). Essa torre está sendo construida com separadas pedras-os
fiéis. Esses fiéis são "pedras vivas"
(1 Pe 2:5). No processo de construção elas ajustam-se
umas às outras, porque elas são polidas e lisas e
tão bem adaptadas umas às outras; elas se juntam tão
próximas que suas bordas não são mais visíveis,
e a torre parece ser feita de uma só pedra. Esse é
um símbolo de unidade e totalidade. Mas notem que só
pedras polidas e lisas podem ser usadas para essa construção.
Existiram muitas outras pedras, até pedras brilhantes, mas
redondas, e elas não puderam ser usadas na construção;
pois elas não se ajustavam umas às outras, não
sendo portanto adequadas para a construção e tiveram
que ser postas próximas dos muros. (Hermas, Vis. 3:2:6,8).
No simbolismo antigo "redondo" era um sinal de isolamento,
de auto-suficiência e auto-satisfação —
teres atque rotundus. E é justamente esse espírito
de auto-satisfação que impede nossa entrada na Igreja.
A pedra tem que ser chata e lisa, para que ela possa se adaptar
à parede da Igreja. Nós devemos "nos rejeitarmos"
para sermos capazes de entrar na catolicidade da Igreja. Nós
devemos controlar nossa auto-estima num espírito católico
antes de podermos entrar na Igreja. E na plenitude da comunhão
da Igreja a transformação católica da personalidade
é completada.
Mas a rejeição e negação de nosso próprio
ego não significa que a personalidade deve ser extinta, que
ele deve ser dissolvido na multidão. Catolicidade não
é corporalidade ou coletivismo. Ao contrário, a auto-negação
alarga o escopo de nossa personalidade; em auto-negação
nós possuimos a multidão dentro de nosso próprio
ego; nós englobamos os muitos em nosso próprio ego.
Ai está a similaridade com a Divína Unidade da Santíssima
Trindade. Em sua catolicidade a Igreja torna-se a similitude criada
da Divina perfeição. Os Padres da Igreja falaram disso
com grande profundidade. No Oriente São Cirilo de Alexandria;
no Ocidente São Hilário. (Para citações
patrísticas muito bem ordenadas e explicadas, ver E. Mersh,
S.J., Le Corps Mystique du Christ, Etudes de Théologie Historique,
t. 1-2, Louvain, 1933). Na teologia contemporânea russa o
Metropolita Antonio disse muito adequadamente, "A existência
da Igreja não pode ser comparada com mais nada sobre a terra,
pois na terra não há unidade, mas só separação.
Só no céu há algo como a Igreja. A Igreja é
a existência perfeita, nova, peculiar e única sobre
a terra, um unicum, que não pode ser bem definido por qualquer
conceito tomado da vida do mundo. A Igreja é a semelhança
da existência da Santíssima Trindade, a semelhança
na qual muitos tornam-se um. Porque é que essa existência
assim como a existência da Santíssima Trindade, é
nova para o velho homem e impenetravel para ele? Porque personalidade
em sua consciência carnal é uma existência auto-aprisionada,
contrastando radicalmente com todas as outras personalidades (Arcebispo
Antonio Khapovitsky, The Moral Idea of the Dogma of the Church,
Works, Vol. 2, pgs. 17-18. São Petersburgo, 1911). "Assim
o Cristão deve na medida do seu desenvolvimento espiritual
tornar-se livre; fazendo um contraste direto entre o 'ego' e o 'não-ego'
ele deve modificar radicalmente as qualidades fundamentais da auto-consciência
humana" (Ibid., The Moral Idea of the Dogma of the Holy Trinity,
p. 65). É justo essa mudança que é a regeneração
católica da mente.
Há dois tipos de auto-consciência e auto-afirmação:
individualismo separado e catolicidade. Catolicidade não
é a negação da personalidade e consciência
católica não é nem genérica nem racial.
Não é uma consciência comum, nem a consciência
conjunta de muitos ou o Bewusstsein ueberhaupt dos filosofos alemães.
Catolicidade é conseguida não com a eliminação
da personalidade viva, nem com a elevação para o plano
de um Logos abstrato. Catolicidade é uma unidade concreta
em pensamentos e sentimentos. Catolicidade é o estilo ou
ordem de colocação da consciência pessoal, quando
essa sobe para o "nivel de catolicidade." É o "telos"
da consciência pessoal, a qual é alcançada com
desenvolvimento criativo, e não com a aniquilação
da personalidade.
Na transfiguração católica a personalidade
recebe força e poder para expressar a vida e consciência
do todo. E isso não como um meio impessoal, mas numa ação
criativa e heróica. Não devemos dizer: "Todos
na Igreja atingem o nível de catolicidade," mas sim
" todos podem, e devem, e s& |