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Vicariato
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Essa experiência não se exaure nem nas Escrituras, nem na tradição oral, nem em definições. Ela não pode, ela não deve, exaurir-se. Ao contrário todas as imagens e palavras devem ser regeneradas em sua experiência de vida espiritual. Essa experiéncia é a fonte do ensinamento da Igreja. No entanto, nem tudo dentro da Igreja data dos tempos Apostólicos. Isso não significa que foi revelado algo que era "desconhecido" pelos Apóstolos; e nem significa que o que é de data posterior é menos importante e convincente. Tudo foi dado e revelado completamente desde o início. No dia de Pentecostes a Revelação foi completada, e não admitirá ulterior completamento até o Dia do Julgamento e sua última realização. A revelação não tem sido ampliada, e mesmo o conhecimento não tem aumentado. A Igreja não conhece Cristo agora mais do que O conheceu no tempo dos Apóstolos. Mas ela testifíca de coisas maiores. Em suas definições ela sempre imutavelmente descreve coisa, mas na imagem imutável novas características se tornam visíveis. Mas a Igreja conhece a verdade não menos e não de outra forma do que era conhecido nos tempos antigos. A identidade da experiência é lealdade à tradição. A lealdade à tradição não impediu os Padres da Igreja de "criarem novos nomes" (como São Gregório de Nazianzo diz) quando isso foi necessário para a proteção da fé imutável. Tudo o que fui dito posteriormente, foi dito de dentro da plenitude católica e é de igual valor e força comparado com o que foi pronunciado no início. E ainda agora a experiência da Igreja não foi exaurida, mas protegida e fixada em dogmas. Mas há muito do que a Igreja testifica que não está em forma dogmática, mas numa maneira litúrgica, no simbolismo do ritual sacramental, nas figuras de retórica das orações, e no estabelecido ciclo anual de comemorações e festas. O testemunho litúrgico é tão válido quanto o testemunho dogmático. O concreto contido num símbolo é às vezes ainda mais vivo, claro e expressivo do que qualquer concepção lógica pode ser, como testemunha a imagem do Cordeiro tomando sobre Si os pecados do mundo. Errado e não verdadeiro é aquele minimalismo teológico, que quer escolher e por à parte "as mais importantes, mais certas e mais obrigatórias" do todas as experiências e ensinamentos da Igreja. Esse é um caminho falso, e uma falsa colocação da questão. Por certo, nem tudo nas instituições históricas da Igreja é igualmente importante e venerável;e nem tudo nas ações empíricas da Igreja foi sancionado ainda. Há mui to que é somente histórico. No entanto, nós não temos critério externo para discriminar entre os dois. Os métodos de criticismo histórico externo são inadequados e insuficientes. Somente de dentro da Igreja nós podemos discernir o sagrado do histórico. De dentro nós vemos o que é católico e pertence a todos os tempos, e o que é só "opinião teológica," ou até mesmo um simples e casual acidente histórico. Mais importante na vida da Igreja é sua plenitude, sua integridade católica. Há mais liberdade nessa plenitude que nas definições formais de um mínimo forçado, nas quais nós perdemos o que é mais importante -retidão, integridade, catolicidade. Um dos historiadores da Igreja Russa deu uma definição de muito sucesso do caráter único da experiência da Igreja. A Igreja não nos dá um sistema mas uma chave; não os planos da cidade de Deus, mas os meios para entrar nela. Talvez alguém perderá seu caminho porque não tem um plano. Mas tudo que ele verá, ele verá sem um mediador, ele verá diretamente, e o que vier a ver será real para ele; enquanto aquele que só estudou o plano, arrisca-se a permanecer fora, não encontrando nada (B.M. Melioransky, Lectures on the History of Ancient Christian Churches. The Pilgrim, Russian, 1910, 6, p. 931). A inadeqüação do canon Vincentiano. Será então necessário limitarmo-nos à letra morta dos escritos Apostólicos? Parece que o Canon Vincentiano é um postulado de simplificação histórica, de um nocivo primitivismo. Isso significa que não devemos procurar por critérios externos e formais de catolicidade; não devemos dissecar catolicidade em universalidade empírica. A tradição carismática é verdadeiramente universal. Em sua plenitude ela engloba todos os tipos de semper e ubique e une todos. Mas empiricamente ela pode não ser aceita por todos. De qualquer maneira não devemos tentar provar a verdade do Cristianismo por meio de "consenso universal," per consensum omnium. Em geral, nenhum consensus prova a verdade. Esse seria um caso de agudo psicologismo, e em teologia há ainda menos espaço para ele do que em filosofia. Ao contrário, verdade é a medida pela qual podemos avaliar o valor da "opinião geral." A experiência católica pode ser expressa mesmo por poucos, mesmo por confessores individuais da fé. Isso é suficiente. Falando estritamente, para sermos capazes de reconhecer e expressar a verdade católica, nós não precismos de assembléia ecumência, universal e voto;nós nem mesmo precisamos de um "Concílio Ecumênico." A sagrada dignidade dos Concílios não esteve no número de membros representando suas Igrejas. Um grande concílio "geral" pode acabar provando ser um "concílio de ladrões" (latrocinium), ou mesmo de apóstatas. E a ecclesia sparsa frequentemente condena esse "concílio geral," por estar convencida de sua nulidade, com uma silenciosa oposição. Numerus Episcoporum não resolve a questão. Os métodos históricos e práticos de reconhecer tradição sagrada e católica podem ser muitos; o de um Concílio Ecumênico é somente e nada mais do que um deles. Isso não significa que é desnecessário convocar concílios e conferências. Mas pode acontecer que durante o concílio a verdade venha a ser expressa pela minoria. E o que é mais importante: A verdade pode ser revelada mesmo sem um concílio. As opiniões dos Padres e dos Doutores Ecumênicos da Igreja frequentemente tem maior valor espiritual e finalidade que as definições de certos concílios. E essas opiniões não necessitam serem verificadas e aceitas por "consenso universal." Ao contrário são eles próprios que são o critério, e são eles que podem aprovar. É isso que a Igreja testifica em silencioso receptio. O valor decisivo reside na catolicidade interna e não em universalidade empírica. As opiniões dos Padres são aceitas, não como uma sujeição formal a uma autoridade externa, mas por causa da evidência interna da verdade católica. O corpo todo da Igreja tem o direito de verificar, e para ser mais exato, o direito, e não só o direito mas o dever, de certificar. Foi nesse sentido que na bem conhecida carta e Encíclica de 1848 os Patriarcas Orientais escreveram que "o próprio povo" (?a??, laós), isto é, o Corpo da Igreja, "era o guardião da piedade" (?pe?asp??t?? t?? T??s?e?a?). E ainda antes disso o Metropolita Philaret disse essa mesma coisa no seu catecismo. Em resposta à questão: "Existe um verdadeiro tesouro da sagrada tradição?" ele diz "todos os fiéis, unidos pela sagrada tradição da fé, todos juntos e sucessivamente, são construidos por Deus em uma Igreja, que é o verdadeiro tesouro da sagrada tradição, ou para citar as palavras de São Paulo, "A Igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade" (1 Tm 3:15). A convicção da Igreja Ortodoxa de que o "guardião" da tradição e piedade é o povo todo, isto é, o Corpo de Cristo, de forma alguma diminui ou limita o poder de ensinar dado à hierarquia. Isso só significa que o poder de ensinar dado à hierarquia é uma das funções da plenitude católica da Igreja; é o poder de testemunhar, de expressar e de falar da fé e da experiência da Igreja, que foi preservado no corpo todo. O ensinamento da hierarquia é, como foi, a boca da Igreja. De omnium fideli ore pendeamus, quia in omnem fidelem Spiritus Dei Spirat. [Nós dependemos da palavra de todos os fiéis, porque o Espírito de Deus assopra em cada um dos fiéis. São Paulin. Nolan, epístola 23, 25, M.L. 61 col. 281]. Só para a hierarquia foi dado o ensinar "com autoridade." A hierarquia recebeu esse poder de ensinar, não do povo da Igreja mas do Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, no sacramento das Ordens. Mas esse ensinamento encontra seus limites na expressão do todo da Igreja. A Igreja é chamada a testemunhar essa experiência, que é uma experiência inexaurível, uma visão espiritual. Um bispo da Igreja, episcopus in ecclesia, deve ser um professor. Só o bispo recebeu plenos poderes e autoridade para falar em nome do seu rebanho. Esse recebe o direito de falar através do bispo. Mas para fazer isso o bispo deve conter a Igreja dentro de si; ele deve tornar manifesta sua exper |