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  Excertos de "Cristianismo e Cultura" (Parte 2)

 

Primeira parte...

 

De fato, a questão da relação entre o Cristianismo e a Cultura nunca é discutida em abstrato, dessa forma generalizada, ou em todo caso, ela não deveria ser discutida assim. A cultura sobre a qual se fala, é sempre uma cultura particular. O conceito de "cultura," com o qual se opera, é sempre condicionado a uma situação, isto é, derivado da experiência real que se tem, em uma cultura particular própria, da qual pode-se gostar ou detestar, ou então é um conceito imaginário, "outra cultura," um ideal, a respeito do qual se pode sonhar e especular. Mesmo quando a questão é posta em termos gerais, impressões e desejos concretos podem ser sempre detectados. Quando "Cultura" é resistida ou negada por Cristãos, é sempre uma definida formação histórica que é tomada para ser representativa da idéia Em nossos dias seria a civilização mecanizada ou "Capitalista," interiormente secularizada e, portanto estranha a qualquer religião. Nos tempos antigos era a civilização pagã Greco-Romana. O ponto-de-partida em ambos os casos, é a imediata impressão de choque e conflito, e da incompatibilidade prática de estruturas divergentes, que divergem basicamente em espírito e inspiração.

Os primeiros Cristãos estiveram enfrentando uma civilização particular, a do mundo Romano e Helenista. Foi sobre essa civilização que ele falaram, foi contra esse concreto "sistema de valores" que eles foram críticos e estiveram inquietos. Essa civilização, além disso, estava, ela própria, mudando e instável naquele tempo, e estava, de fato, envolvida numa desesperada luta e crise. A situação estava complexa e confusa. Os historiadores modernos não podem escapar da antinomia em sua interpretação dessa primeira época Cristã, e não se pode esperar mais coerência da interpretação dada pelos autores da época. É óbvio que essa civilização Helenista estava, num certo sentido, madura ou preparada para a "conversão," e pode até mesmo, de novo num certo sentido, ser olhada como um tipo de Praeparatio Evangelica, e os então contemporâneos estavam conscientes dessa situação. Já São Paulo sugeriu isso, e os Apologistas do segundo século, e os primeiros Alexandrinos não hesitaram em se referir a Sócrates e Heráclito, e a Platão, como precursores do Cristianismo. De outro lado, eles estavam cientes, não menos do que nós estamos hoje, de uma radical tensão entre aquela cultura e a mensagem deles, e os oponentes também estavam conscientes dessa tensão. O Mundo Antigo resistia à conversão, porque ela significava uma mudança radical e a quebra com suas tradições em muitos aspectos. Nós podemos ver agora a tensão entre o "Clássico" e o "Cristão." Os contemporâneos daquela época, não podiam, por certo, ver na mesma perspectiva que nós, porque eles não podiam antecipar o futuro. Se eles eram críticos de "cultura," eles significavam precisamente a cultura do seu próprio tempo, e essa cultura era estranha e inimiga do Evangelho. O que Tertuliano tinha a dizer sobre cultura, deveria, antes de mais nada, ser interpretado num quadro histórico concreto, e não deveria ser imediatamente transformado em pronunciamentos absolutos. Não estava ele certo em sua insistência na radical tensão e divergência entre Jerusalém e Atenas: quid Athenae Hierosolymis? "O que de fato Atenas tem a ver com Jerusalém? Que acôrdo existe entre a Academia e a Igreja?.. Nossa instrução vem do Átrio de Salomão, que ensinou que "O Senhor deve ser olhado com simplicidade de coração"...Não queremos disputa curiosa sobre possuir Jesus Cristo, nem inquisição por gostar do Evangelho. Com nossa fé, nós não queremos outra crença. Pois essa é nossa fé palmar, e daí, não há nada no que queiramos crer além(de prescriptione,7). "O que há de comum entre o filósofo e o Cristão, o aluno de Hellas e o aluno do Céu, o trabalhador por reputação e salvação, o feitor de palavras e obras" (Apologeticus,46). No entanto, Tertuliano não conseguiu evitar "inquisição" e "disputa" e não hesitou em usar a sabedoria dos gregos na defesa da fé Cristã. Ele acusa a cultura de seu tempo, e uma específica filosofia de vida, que em sua verdadeira estrutura era oposta à fé. Ele estava temeroso de um fácil sincretismo e de contaminação, que era um real desafio e perigo no seu tempo, e ele não podia antecipar que uma transformação interior da mente helênica iría ocorrer nos séculos a vir, assim como ele não podia imaginar que Césares virariam Cristãos.

Não se deve esquecer que a atitude de Orígenes foi, na verdade, muito parecida, apesar dele ser olhado como um dos helenizadores do Cristianismo. Ele também estava consciente da tensão e suspeitava da vã especulação, na qual ele teve pouco interesse, e para ele as riquezas dos pagãos eram exatamente "as riquezas dos ímpios"(Salmo37,16). Santo Agostinho também tinha essa opinião. Não era a Ciência para ele, somente vã curiosidade que só distraia a mente de seu verdadeiro propósito, que não é numerar as estrelas, ou procurar as coisas escondidas da natureza, mas conhecer e amar a Deus? E também Santo Agostinho repudiava a Astrologia, que ninguém olharia como ciência em nossos dias, mas que nos dias dele era inseparável da verdadeira Astronomia. A precaução ou mesmo atitude negativa dos primeiros Cristãos para com filosofia, arte, fosse música ou pintura, e especialmente com a arte da retórica, só pode ser inteiramente compreendida no contexto histórico concreto. A estrutura toda da cultura existente era determinada e permeada por uma falsa e errada fé. Deve-se admitir que certas formas de cultura são incompatíveis com a atitude Cristã para com a vida, e por isso devem ser rejeitadas ou evitadas. Mas isso ainda não pré-julga a questão ulterior, se uma cultura Cristã é possível e desejável. Em nossos dias, deve-se, ou melhor, dever-se-ia, ser profundamente crítico de nossa civilização contemporânea, e até mesmo receber bem o seu colapso, mas isso não prova que civilização como tal deva ser condenada e amaldiçoada, e que os Cristãos deveriam retornar ao barbarismo ou primitivismo.

O fato é, que o Cristianismo aceitou o desafio das culturas Helênica e Romana e finalmente, uma civilização Cristã emergiu. É verdade que essa ascensão da Cultura Cristã tem sido extremamente censurada nos tempos modernos, como uma "aguda Helenização" do Cristianismo, na qual a pureza e simplicidade da fé Evangélica ou Escriturística alegadamente foi perdida. Muitos em nossos dias são bastante "iconoclásticos" com respeito à cultura em bloco, ou ao menos em relação a certos campos de cultura, tais como "filosofia"(igualada aos "sofistas") ou arte, repudiada como uma sutil idolatria, em nome da fé Cristã. Mas, de outro lado, nós devemos encarar acumulação. por muitos séculos de genuínos valores humanos no processo cultural, tomados e carregados no espírito de obediência Cristã e dedicação à verdade de Deus.

O que é importante nesse caso é que a Cultura Antiga provou ser plástica suficiente para admitir uma "transfiguração" interior. Ou em outras palavras, os Cristãos provaram que era possível reorientar o processo cultural, sem cair num estado pré-cultural, remodelando a fábrica cultural num novo estilo. O mesmo processo que tem sido variadamente descrito como uma "Helenização do Cristianismo" pode ao invés ser interpretado como uma "Cristianização do Helenismo." O helenismo foi dissecado pela Espada do Espírito, foi polarizado e dividido, e um "Helenismo Cristão" foi criado. Por certo o Helenismo era ambíguo, pois ele tinha dupla face. E certos renascimentos Helenistas na história do pensamento europeu foram bastante pagãos, chamando por cautela e crítica É suficiente mencionar as ambigüidades da Renascença, e nos últimos tempos Goethe e Nietzsche. Mas não seria justo ignorar a existência de outro Helenismo, já iniciado na Idade dos Padres, tanto gregos quanto latinos, e que continuou criativamente pela Idade Média e pelos Tempos Modernos. O que é realmente decisivo nessa conexão é que o "Helenismo" foi realmente mudado. Pode-se ser muito rápido em se descobrir "adições helênicas" na fábrica da vida Cristã, e ao mesmo tempo muito negligente e esquecido dos fatos dessa "transfiguração."

Um admirável exemplo é suficiente pata nossa presente proposta. Foi recentemente trazido à lembrança, o fato de que o Cristianismo conseguiu uma mudança radical na interpretação filosófica do tempo. Para os antigos filósofos gregos, o tempo era "uma imagem móvel da eternidade," isto, é um movimento cíclico e recorrente, que tinha que voltar sobre si mesmo, sem nunca se mover "adiante," pois nenhum "movimento para frente" é possível no círculo. Era um tempo astronômico, determinado pela " revolução das esferas celestes"(lembremo-nos do famoso título do trabalho de Copérnico que estava ainda sobre a influência da Astronomia Antiga: De Revolutionibus Orbium Celestium), e a história humana estava coerentemente subordinada a esse princípio básico de rotação e interação. Nosso conceito moderno, de tempo linear, com um conceito de direção ou vetorialidade, com a possibilidade de progressão e conquista de coisas novas, foi derivado das Escrituras e do conceito de história das Escrituras, movendo-se da Criação à Consumação, em um movimento único, irreversível e irrepetível, guiado ou supervisionado pela constante Providência do Deus Vivo. O tempo circular dos gregos foi explodido, como jubilosamente Santo Agostinho exclamou. A história, pela primeira vez, podia ser concebida como um processo com significado e propósito, conduzindo a um objetivo, e não como uma rotação perene conduzindo a lugar nenhum. O próprio conceito de progresso foi elaborado pelos Cristãos. Isto quer dizer que o Cristianismo não foi passivo em seu intercurso com aquela cultura herdada que ele se esforçou em redimir, e de maneira muito ativa. Não é demais dizer que a mente humana foi renascida e refeita na escola da fé Cristã, sem nenhum repúdio às justas demandas e justos usos dessa cultura herdada. É verdade que esse processo de Cristianização da mente nunca foi completado, e tensão interna continua até mesmo dentro do "Universo de Discurso" Cristão. Nenhuma cultura pode em tempo algum, ser final e definitiva. Ela é mais do que um sistema, ela é um processo e ela só pode ser preservada e continuada por um constante esforço espiritual, e não somente por inércia ou herança. A verdadeira solução do perene da relação entre Cristianismo e Cultura está no esforço de converter "a mente natural" à fé correta, e não na negativa de tarefas culturais. preocupações culturais são parte integrante da real existência humana, e por essa razão não pode ser excluída do esforço histórico Cristão.

O Cristianismo entrou na cena histórica como uma Sociedade ou Comunidade, como uma nova ordem social, ou até mesmo, como uma nova dimensão social, ou seja, como a Igreja. Os primeiros Cristãos tinham um forte sentimento corporativo. Eles sentiam ser uma "raça escolhida," uma "nação santa," um "povo peculiar," ou seja, precisamente uma Nova Sociedade, uma "Nova Polis," uma Cidade de Deus. Mas, havia outra cidade em existência, de fato uma Cidade Universal e estritamente totalitária, o Império Romano, que se sentia ser simplesmente "o Império."Ele reclamava ser a Cidade, compreensiva e única. Ele reclamava todo e cada homem a seu serviço, como a Igreja quer o homem todo para o serviço de Deus. Nenhuma divisão de competência e autoridade poderia ser admitida, já que o Estado Romano não podia admitir autonomia da "esfera religiosa," e fidelidade religiosa era encarada como um aspecto do credo político e parte integral da obediência cívica. Por essa razão, um conflito era inevitável, um conflito das duas cidades. Os primeiros Cristãos sentiam-se,e de fato eram,extraterritoriais, fora da ordem social existente, simplesmente porque a Igreja era para eles uma ordem em si. Eles moravam em suas cidades como "residentes temporários" ou "estrangeiros" e para eles "qualquer terra estrangeira era pátria, e toda pátria era estrangeira," como colocou o autor da "Epístola a Diogneto" um notável documento do segundo século. De outro lado, não se retiravam da sociedade existente; eles podiam ser encontrados "em todos os lugares," como Tertuliano insistiu, em todos os caminhos da vida, em todos os grupos sociais, em todas as nações. Mas espiritualmente eles eram separados, segregados. Como Orígenes colocou, em todas as cidades os Cristãos tinham outro sistema de fidelidade, próprio, ou em tradução literal, "outro sistema de pátria"(Contra Celsus,VIII, 75). Os Cristãos permaneciam no mundo e estavam pre parados para executar suas obrigações diárias fielmente, mas não podiam prometer fidelidade total ao governo desse mundo, para acidade terrena, pois sua cidadania era de algum outro lugar, ou seja, "o céu."

No entanto, esse desprendimento do "mundo" não poderia ser mais do que provisório, pois o Cristianismo, por sua própria natureza, era uma religião missionária e pretendia fazer uma conversão universal. Essa sutil distinção "no mundo, mas não do mundo" não poderia colocar o problema básico, pois o próprio "mundo" tinha que ser redimido, e não poderia ser tolerado em seu estado não-reformado. O problema final era exatamente esse: poderiam as duas Sociedades coexistir,e em que termos? Poderia a fidelidade Cristã ser de alguma forma dividida ou duplicada, ou uma "dupla cidadania" ser aceita como um princípio normativo? Varias respostas foram dadas no curso da história. E o assunto ainda é quente e embaraçoso. Pode-se, imaginar se "segregação espiritual" não é de fato, a única resposta Cristã consistente, sendo qualquer outra solução um compromisso confuso. A Igreja está aqui, "nesse mundo," para a salvação dele. A Igreja tem, como teve, que exibir um novo nível de existência, um novo modo de vida, aquele do "mundo que virá." E por essa razão, a Igreja tem que se opor e renunciar a "esse mundo." Ela não pode, digamos assim, achar um lugar adequado para si nesse "velho mundo." Ela é compelida a estar "nesse mundo" em permanente oposição, mesmo que pretenda somente uma reforma ou renovação do mundo.

A situação em que a Igreja se encontra nesse mundo, é inextricavelmente antinômica. Ou a Igreja é para ser constituída como uma sociedade exclusiva, esforçando-se em satisfazer todos os requisitos dos fiéis, tanto "temporais" quanto "espirituais," dando nenhuma atenção à ordem existente e deixando nada para o mundo exterior — isso significaria uma inteira separação do mundo, uma definitiva fuga dele, e uma negação radical de qualquer autoridade externa. Ou a Igreja poderia tentar uma "Cristianização" inclusiva do mundo, subjugando a vida toda ao governo e autoridade Cristã, esforçando-se em reformar e reorganizar a vida secular em princípios Cristãos, para construía a Cidade Cristã. Na história da Igreja nós podemos rastrear as duas soluções: a fuga para o deserto e a construção do Império Cristão A primeira foi praticada não só no monasticismo de varias linhas, mas também por vários outros grupos e "seitas." A segunda foi a linha principal tomada por Cristãos, tanto no Ocidente quanto no Oriente, até o surgimento do secularismo militante na Europa e em outros lugares, mas mesmo no presente essa solução não perdeu apoio em muitos povos.

Historicamente falando, ambas as soluções provaram ser inadequadas e sem sucesso. De outro lado, tem-se que reconhecer a urgência do problema comum às duas soluções e a verdade de seu propósito comum. O Cristianismo não é uma religião individualista e não está preocupado somente com a salvação de indivíduos. Cristianismo é a Igreja, ou seja, a Comunidade conduzindo sua vida corporativa de acordo com seus princípios peculiares. A liderança espiritual da Igreja dificilmente pode ser reduzida a orientações ocasionais, a indivíduos ou grupos vivendo em condições gritantemente não congênitas com a Igreja, A legitimidade dessas condições deveria ser, antes de tudo, questionada. Nem a vida humana pode ser dividida em departamentos, alguns dos quais podem ter sido governados por alguns princípios independentes, ou seja, independentes da Igreja. Não se pode servir a dois mestres, e uma dupla fidelidade é uma solução pobre. O problema não é mais simples numa sociedade Cristã. Com Constantino, o Império como era capitulou, o próprio César foi convertido. O Império estava então oferecendo à Igreja não só paz mas também cooperação. Isso poderia ser interpretado como uma vitória da causa Cristã. Mas para muitos Cristãos daquela época essa nova fase de negócios foi uma surpresa, uma verdadeira explosão. Muitos líderes da Igreja estavam bastante relutantes em aceitar a oferta Imperial. Mas era difícil recusá-la. A Igreja inteira não poderia escapar para o deserto, nem poderia ela desertar o mundo. A nova Sociedade Cristã veio a existir, e era, ao mesmo tempo, "Igreja" e "Império," e sua ideologia era "teocrática."Essa idéia teocrática poderia desenvolver-se em duas versões, diferentes mas correlatas. A autoridade teocrática poderia ser exercida diretamente pela Igreja, isto é, através do Ministério hierárquico da Igreja. Ou o Estado poderia ser investido de autoridade teocrática e seus oficiais comissionados estabeleceriam e propagariam a ordem Cristã. Em ambos os casos a unidade da sociedade Cristã estaria fortemente enfatizada, e duas ordens eram vistas dentro de uma única estrutura: uma eclesiástica no estrito senso e uma temporal, isto é, a Igreja e o Estado, com a suposição básica de que o Império era também um dom Divino, em certo sentido coordenado com o sacerdócio, e subordinado à decisiva autoridade da fé. A teoria parece ser razoável e bem equilibrada, mas na prática conduziu a uma tensão e disputa de longo prazo dentro da estrutura teocrática e finalmente à sua ruptura. Falta consistência, tanto teórica quanto, prática à concepção moderna de duas esferas "separadas," a da Igreja e a do Estado.

De fato, estamos encarando ainda o mesmo dilema e a mesma antinomia. Ou os Cristãos devem ir para fora do mundo, no qual eles têm outro mestre além de Cristo (seja qual for o nome desse outro mestre: César, Mamon ou qualquer outro), e começar uma sociedade separada. Ou então eles tem que transformar o mundo exterior e reconstruí-lo de acordo com a lei dos Evangelhos. O que é importante, no entanto, é que mesmo aqueles que vão para fora não podem dispensar o problema principal: eles ainda têm que construir uma "sociedade" e assim sendo, não podem dispensar esse elemento básico da cultura social. "Anarquismo," de qualquer modo está excluído pelos Evangelhos. Nem o Monasticismo significa ou implica numa denúncia da cultura. Os Mosteiros foram, por um longo período, precisamente os mais poderosos centros de atividade cultural, tanto no Ocidente quanto no Oriente. O problema prático é então reduzir a questão a uma sólida e fiel orientação numa situação histórica concreta.

Os Cristãos não estão obrigados a negar a cultura como tal. Mas eles têm que ser críticos em qualquer situação cultural existente e o balizamento da crítica deve ser a medida de Cristo. Pois os Cristãos são também os Filhos da Eternidade, isto é,cidadãos futuros da Jerusalém Celeste. No entanto problemas e necessidades "desse tempo," em nenhum caso e em nenhum sentido, podem ser desconsiderados, porque os Cristãos são chamados para trabalhar e servir precisamente "nesse mundo" e "nesse tempo."Somente que todas essas necessidades, problemas e objetivos devem ser vistos com aquela nova perspectiva mais ampla, que foi aberta pela Revelação Cristã e iluminada por suas luzes.

Padre George Florovsky foi um proeminente teólogo russo. Ele deixou a Rússia depois da Revolução e foi perseguir uma carreira acadêmica distinguida, primeiro como Professor de estudos Patrísticos (1926-1939) e Dogmática (1939-1948) no Instituto São Sérgio de Paris, depois como Reitor do Seminário São Vladimir em Nova York (1950-1955), e a seguir como Professor de Divindade na Universidade Harvard.

 

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