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Sacramento do Arrependimento (1ª Parte) Pelo Bispo Artemije de Prizren A conversão ou o retorno a Deus pelo Sacramento do Arrependimento e da Confissão é a única via possível para todos aqueles que estão afastados de Deus pelo pecado; pois a força do pecado, de cada pecado tem o poder de nos separar de Deus, do céu, da vida eterna... conduzindo-nos à morte pelo pecado nas trevas do Inferno. “Porque o salário do pecado é a morte” (Rm. 6,23), como nos adverte o Santo Apóstolo Paulo. Assim, o pecado surge como o maior e, mesmo, o único adversário da nossa salvação. Nada, nem ninguém pode nos separar de Deus, nem nos privar da Salvação, exceto o pecado. “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” ou ainda “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os Anjos, nem os Principados, nem as Potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do Amor de Deus, que está em Cristo Jesus Nosso Senhor” (Rm. 8,35; 8,38-39). E o pecado? O que é precisamente o pecado? Um pecado é cometido quando pensamos, falamos ou agimos contrariamente à Lei divina, à vontade divina (tal ela é expressa e manifesta nas Santas Escrituras e pelo ensinamento da Igreja); ou então se não pensamos, nem falamos, e nem agimos conforme aquilo que Deus nos ordena, nos convida. O pecado, então, não é somente o fato de transgredir os Mandamentos de Deus, mas também o fato de abster-se em cumpri-los, deixar de praticá-los. O pecado não é somente fazer mal, mas também deixar de fazer o bem. “Aparta-te do mal e faze o bem” (Sl. 37,27), tal como nos alerta o Profeta da Antiga Aliança e o Apóstolo Paulo nos exige no Novo Testamento: “Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem” (Rm. 12,9). É verdade “que não há homem que viva e não peque”, como o ouvimos a cada Ofício aos Defuntos da nossa Santa Igreja e, também, “é verdadeiramente que somente o pecado priva-nos da Salvação e separa-nos de Deus”; isto significa, então, que ninguém será salvo e todos se dirigirão à morte eterna? Sim, isto não seria então assim se o Senhor, Amigo dos homens, conhecendo a fraqueza e a hábil perfídia do diabo, não nos deixasse um antídoto eficaz contra o pecado, capaz de extirpar cada pecado cometido após a Santa Iluminação -o Santo Batismo - permitindo assim aos homens a Salvação e a Vida Eterna. Este remédio, universalmente pronto e eficaz ao interior da Igreja Ortodoxa, é o Sacramento do Arrependimento e da Confissão. Neste Sacramento o homem se purifica de todos os pecados, os quais ele havia cometido após o Batismo, sendo, por esta mesma razão, nomeado, geralmente, como segundo Batismo. Neste mistério, o Sacerdote da Igreja de Deus, pelo poder do Espírito Santo absolve aqueles pecados os quais o cristão arrepende-se sinceramente e os confessa. À luz daquilo que precedentemente foi escrito compreendemos que ser um cristão verdadeiro significa arrepender-se até o fim da sua vida; ter, sem cessar, diante de seus olhos a imensidão de seus pecados, estando sempre à disposição do arrependimento. E a isto que o homem é chamado quando aspira tornar-se cristão. “Arrependei-vos”: eis as primeiras palavras de São João o Precursor, quando este aparece no deserto da Transjordânia. “Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo”, a Boca Divina de Cristo proclama ao prelúdio de sua predicação “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc. 1,15). Ele o repete geralmente ao longo de seu ministério e, realizando, o indica a via do tornar-se discípulo de Cristo. O arrependimento é esta via. A primeira pregação apostólica, após a descida do Espírito Santo, inicia-se, ela também, por estas palavras: “Arrependei-vos” (At. 3,19). A Igreja de Cristo, desde os nossos dias até o Julgamento Final, nos convida ao arrependimento, assim como ela o fez no passado e o fará no futuro: o próprio princípio da Salvação do homem. A História da Igreja de Deus sobre a Terra, tal como ela é descrita através das vidas dos Santos, é repleta de exemplos que saciam e confirmam a verdade equivocada. Os maiores Santos da Igreja foram os maiores penitentes. Lembremos a vida de Santa Maria do Egito, da Bem-aventurada Taís, de Santa Pelágia, dos Bem-aventurados Agostinho de Hipona e Moisés o Etíope, como aquela de São Savas e de São Simeão Nemanja e de todos os Santos que viveram até os nossos dias, afim de que convençamo-nos que a História da Igreja nada mais é do que a história do arrependimento e daqueles que se arrependem. O arrependimento é, em efeito, segundo Vladika Nikolai Velimirovitch “a revolta do homem contra ele próprio”. É a revolta contra o homem velho, o homem mergulhado nas paixões e nos pecados e, por eles, afastado e separado de Deus. Pois todo pecado nos separa de Deus. O homem que está mergulhado no pecado, parte a um país longínquo onde a Face de Deus deixa de ser vista. Para que tal homem possa tornar-se uma “nova criatura”, como dizia São Paulo, a ele é, primeiramente, necessário, como ao Filho Pródigo, “retornar a ele mesmo” e arrepender-se. O começo deste movimento é o despertar do letárgico sono do pecado.
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