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A Importância e o significado do
Sacramento do Arrependimento
(2ª Parte)

Pelo Bispo Artemije de Prizren
Traduzido do sérvio pela Irmã Rebeca.
Mosteiro dos SS Apóstolos Pedro e Paulo- Herzegovina

Àqueles que estão adormecidos no pecado, o Santo Apóstolo exclama: “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Ef.5,14). Quando o homem desperta-se e toma consciência de seus pecados, ao provar do desgosto, ele passa a não mais apreciá-los; isto marca o início do arrependimento. A partir de então, somente, ele poderá sentir em seu coração o verdadeiro arrependimento e ter a coragem de confessar seus pecados diante de um Padre confessor; a coragem de despir sua alma diante dele e de seu Senhor (que está invisivelmente presente e que recebe sua confissão); a coragem de expor todos os prazeres de sua alma, ancorando sua esperança na misericórdia de Deus: “Vê, Senhor, a minha alma está repleta de iniqüidades. Perdoa-me e ajuda-me!”

Desde as origens até os dias de hoje, numerosos são os Padres e Doutores da Igreja de Deus que falaram e escreveram sobre a confissão dos pecados. Todavia, ninguém pode melhor definir claramente o sentido do arrependimento do que São João Clímaco. No 5º degrau de seu livro Escada Santa, ele escreve: “A penitência é um pacto com Deus para uma segunda vida. O homem penitente é aquele que busca humildade. A penitência é um desafio contínuo às vontades do corpo. A penitência é a filha da esperança e a renúncia ao desespero. A penitência é a reconciliação com o Senhor...” este Santo Padre prossegue ainda, em outro escrito: “A penitência é o retorno, de um modo de vida contra a natureza, aquele que está conforme a natureza, e do Diabo X Deus... A penitência é desviar-se do pecado... A penitência é o abandono das obras pecadoras que precedem e a tristeza que as engendra”.

O verdadeiro arrependimento e a confissão dos pecados têm um grande poder. Todas as homilias de São João Crisóstomo estão repletas de tais exemplos. Mas numerosos são aqueles que, tanto antes como depois dele, escrevem sobre este poder. “Todos aqueles que querem, podem obter a misericórdia de Deus pelo arrependimento” conforme as palavras de São Justino, Filósofo e Mártir e, segundo São Teodoro Estudita: “A Confissão é capaz de extinguir o fogo eterno”; enquanto que para Santo Atanásio o Grande “A Confissão é o princípio da Salvação”, Santo Atanásio o Sinaíta aconselha paternalmente cada cristão nestes termos: “Se encontrares então um homem espiritualmente experimentado, que possa curar-te, confessa-te então a ele”.

A hora da morte é, na vida de todo homem, o que de mais incerto. Não espere para remeter a mais tarde ou negligenciar o Sacramento do arrependimento e da confissão; como o alerta São Cipriano de Cartago: “Rogo-vos, irmãos amados, que cada um dentre vós, tendo pecado, confesse seus pecados enquanto ainda encontra-se nesta vida; enquanto sua confissão é recebida; enquanto o aniquilamento (pelas obras do arrependimento) e o perdão proveniente do Sacerdote estabelecem-se agradáveis ao Senhor”. Deus não nos pede nada além de um coração contrito e humilhado ao arrepender-se. Deus não exige, da parte dos homens, um sacrifício material, os quais os ricos disporiam mais abundantemente, como dizia São Basílio o Grande, mas “a confissão voluntária de um coração sincero, o que representa o mesmo a todos que a queiram”. No entanto, o arrependimento e a confissão podem tornar-se ontologicamente estéreis, “existem quatro meios, onde somente um é suficiente para impedir o homem de arrepender-se e de Deus receber a sua oração: se ele é orgulhoso; se ele não tem amor; se ele quer pecar; se ele guarda rancor em relação alguém”, segundo as tais palavras de José Briennios.

A partir de então compreendemos que o arrependimento verdadeiro não pode ser um ato de entusiasmo momentâneo, mas uma disposição constante da alma.

As palavras dirigidas pelo Santo Apóstolo Paulo aos Coríntios têm o mesmo sentido: “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (I Co 11,31), por compreenderem o arrependimento da alma da mesma maneira que alguns dentre os ascetas e os Santos Padres: não há limite ao arrependimento; ele dura tanto quanto a vida do homem. “Nós pecamos um grande número de vezes por dia, nós devemos constantemente nos sentir pecadores e arrependermo-nos”, pois “Não há limite ao arrependimento” dizia São Marcos o Asceta “até a morte, tanto para os pequenos quanto para os grandes”. São João Clímaco consumia-se no fogo da ascese pelo desejo da Pátria Celeste, ele próprio nos aconselha: “Nós não seremos condenados por não termos realizados milagres, nem por não havermos pregado, nem por não termos uma visão divina, mas, certamente, por não termos feito penitência e chorado os nossos pecados”.

Sobre a necessidade de um constante arrependimento, o célebre asceta russo Ignácio Briantchaninov nos dizia: “Para crer em nosso Senhor Jesus Cristo, irmãos, é necessário o arrependimento; para habitarmos nesta Fé salvadora, é necessário o arrependimento; para avançarmos nela, é necessário o arrependimento!”

Mas o homem não pode provar de um arrependimento sincero e verdadeiro e viver esta experiência que dentro da Igreja de Cristo. Somente ela pode iniciá-lo ao arrependimento e fortificá-lo nele. Pelo Sacramento do arrependimento, a Igreja conduz os fiéis de graça em graça, até que todos cheguem “à unidade da Fé e ao conhecimento do Filho de Deus” (Ef. 4,13).

O Sacramento do arrependimento é aquele estabelecido pelo próprio Senhor: quando após Sua gloriosa Ressurreição, Ele aparece aos Seus Discípulos, sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados: àqueles a quem retiverdes lhes são retidos” (Jo. 20,22-23). Este poder de perdoar e reter os pecados dos homens que foi transmitido pelo Senhor aos Santos Apóstolos, é transmitido até os nossos dias, pelo Espírito Santo aos sucessores dos Apóstolos – os Bispos – e também aos Presbíteros, no Sacramento do Sacerdócio, e será transmitido da mesma maneira até a consumação dos séculos. Assim o nosso sapientíssimo Senhor ordenou que a Salvação fosse realizada e acessível a todos os homens, apesar do estado pecador, por meio do Sacramento do arrependimento. Pois que o arrependimento e a confissão foram instituídos pelo nosso Senhor Jesus Cristo, todavia o Antigo Testamento os conhecia assim como meio, um tanto poderoso, de reconciliação do homem com Deus. Pois em todo lugar que há pecado, pode haver também o arrependimento. Logo após Adão, já o havia no Antigo Testamento. Mas é o Rei David que na Antiga Aliança mostra o exemplo clássico de um arrependimento sincero.

 

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