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Sacramento do Arrependimento (3ª Parte) Pelo Bispo Artemije de Prizren Após um pecado duplo – o adultério e a morte – ele foi reprimido pelo Profeta Natã, arrependendo-se de todo o seu coração. Em sinal de arrependimento, ele compôs o Salmo 51, que, por esta razão, é chamado de “Salmo do Arrependimento”. À parte deste exemplo bem conhecido, ainda existem muitos outros. Pois cada um dos Profetas, entre outros afazeres, exortava e recomendava ao povo o arrependimento, indispensável (condição) para obter a misericórdia divina e a libertação dos inimigos visíveis. Mas nesta significação verdadeira, como havíamos dito o arrependimento enquanto Sacramento foi transmitido pelo Senhor à Sua Santa Igreja como um meio de graças e uma força indispensável à Salvação dos homens. É neste arrependimento que os Apóstolos, e mais tarde, Seus sucessores deveriam encontrar o meio de conduta, saber quando e como “ligar e desligar”, perdoar os pecados ou não cometê-los. Isto não é visto literalmente nas palavras do Salvador. Mas aquilo que não está explicitamente expresso, os Apóstolos haviam aprendido diretamente pelo ensinamento oral do exemplo vivo de Cristo, o quanto Ele ainda estava entre eles; particularmente quando Cristo exige de nós que nos perdoemos uns aos outros os nossos pecados, Ele disse entre outras palavras: “E, se teu irmão pecar conta ti, repreende-o, e se ele se arrepender, perdoa-lhe. E se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe” (Lc.17,3-4). Disto provém claramente que o arrependimento, condição do perdão que concedemo-nos mutuamente, pelos pecados e as ofensas pessoais, é igualmente a condição pedida diante de Deus para obter, por intermédio do Padre confessor, o perdão dos nossos pecados. E o Senhor receberá cada um que se arrependa sinceramente, segundo as Suas palavras de Salvação: “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc.15,7). Isto é confirmado e convidado pelas Parábolas da centésima ovelha perdida ou da dracma outrora perdida e depois reencontrada. Mas para que o arrependimento seja portador de Salvação, e para que ele nos obtenha de Deus o perdão dos pecados, nos é necessário sinceridade e o vínculo à plena confissão de nossos pecados – a Confissão – diante do Sacerdote em nome do Pai Celeste. Este segundo passo, a Confissão dos pecados, deve ser aliado ao arrependimento sincero, indispensavelmente. O Sacerdote, em efeito, tal como um médico espiritual, não pode absolver os pecados que a ele não foram confessados – nem pode dar o remédio adequado e correspondente para a cura dos ferimentos causados à alma pelos pecados que ele não conhece – “Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?” (I Co.2,11). Por esta razão, na vida de cada cristão, o momento do Sacramento da confissão é, sem dúvida, aquele mais comovente. Aquele que se arrepende expõe diante do confessor toda a sua alma, como que sobre a palma da mão. Pois, antes de tudo, o pecador mostra-se, aqui, de uma maneira completamente indiferente à vida ordinária do mundo. Sempre e em toda parte, segundo o Arquimandrita Cipriano Kern, os homens esforçam-se em mostrar o seu lado favorável, escondendo com cuidado seus defeitos, por medo (para que não creiamos que sejam piores do que na realidade). Durante a confissão, em contrapartida, o pecador revela todos os seus lados negativos esforçando-se em refutar a revelação daquilo que para ele é humilhante. Tal é a primeira condição para uma confissão correta da alma. O Sacramento da confissão é o dom mais precioso que a Igreja oferta aos seus filhos, em resposta à necessidade mais essencial da vida de cada cristão ortodoxo; sem este Sacramento, torna-se impossível realizar a nossa Salvação e alcançar o Reino Eterno, pois não há outro meio além deste para a libertação dos pecados pessoais cometidos após o Sacramento do Batismo. Tanto quanto o homem está repleto de pecados e de paixões, a ele é impossível realizar a união com Deus totalmente justa, e ser chamado Seu filho. Pois “o pecado introduz na alma tal impureza, como dizia São João Crisóstomo, que milhares de fontes não seriam capazes de lavá-la, somente, as lágrimas da confissão”. Através do Sacramento da confissão, o pecador obtém a cura da alma – e muito geralmente aquela do corpo – a tranqüilidade da consciência; ele salva os desesperados da morte corporal e espiritual, que é o suicídio. Apesar da sua importância inestimável à Salvação, o Sacramento do arrependimento e da confissão foi reduzido ao nosso povo mais do que em qualquer outro povo ortodoxo; ele perdeu, por assim dizer, toda significação prática. Em muitas das nossas regiões, sobretudo nas vilas e pequenas cidades, dirigimo-nos à Confissão somente quando queremos comungar. Em outros lugares, ainda, durante a Primeira Semana da Grande Quaresma, quando cerca de dois mil fiéis dirigem-se à comunhão, encontramos somente algumas poucas idosas senhoras disponíveis à confissão. E assim de um ano ao outro. Em outra parte, ainda, consideramos que o Sacramento da confissão, como a própria comunhão, são para as senhoras; vergonhoso aos homens. Raros são os casos onde um homem se confessa e comunga. E mesmo lá onde este Sacramento é praticado de uma maneira ou de outra, em geral, ele já perdeu todo o seu sentido profundo e espiritual; manifestando pouca seriedade até da parte de alguns confessores. Que me perdoem tal audácia, mas eu o digo porque sei, por experiência, que nossos seminaristas, mais geralmente, deixam o Seminário de Teologia, às suas paróquias, sem ter a menor noção (essencial) concernente a este Sacramento (exceto quando é necessário obter nota no Estudo da Liturgia), ou então noções errôneas, geralmente, adquiridas nas confissões oficiais praticadas duas vezes por ano nos Institutos de Ensino. Torna-se indispensável e urgente pôr-se seriamente a trabalho, tanto nas Faculdades de Teologia e nos seus Seminários quanto nas paróquias, a fim de que o Sacramento da confissão reencontre vida em nosso povo e, seja novamente elevado à altura a que ele está designado dentro da Santa Igreja de Cristo, podendo ocupar com dignidade a função, que através dos séculos, desenvolveu para a Salvação das almas. Neste contexto objetivo e, antes de tudo, para que o nosso povo tenha e faça uma clara idéia deste Sacramento, a fim de que compreenda quão necessário é, apresentamos aqui, brevemente, alguns conselhos sobre a maneira pela qual devemos nos confessar, para o perdão de nossos pecados.
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