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Vicariato
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Homilia de Sua Beatitude Gabriel I, Metropolita de Lisboa (Lc. X, 38-42; XI, 27-28) O Evangelho da Sagrada Liturgia hoje celebrada pela santa Igreja traz relatado o fato de Jesus ser recebido numa casa de amigos. E de, depois de ter entrado, esperar que a refeição estivesse pronta. Uma das anfitriãs, uma das donas da casa encontrava-se prostrada diante do Mestre ela ouvia, transportada em êxtase, para o mundo diferente em que habitava – era Maria; a outra, preparando tudo o que era necessário para receber a Cristo – era a outra irmã, Marta e, segundo a Tradição, eram irmãs de Lázaro. Ora, o diálogo, muito simples, muito esclarecedor do qual deve ser a posição do cristão – diante de Deus, diante de Cristo, diante do mundo invisível, espiritual que o transcende – desenrolou-se entre Jesus, Marta e Maria. E todos nós conhecemos a narrativa: Marta chega aos pés do Mestre, lamenta-se de sua irmã a ter abandonado, ficando ali, aos pés d´Ele, ouvindo as histórias que Ele tem para contar. E o Mestre diz-lhe que Maria escolheu a melhor parte. Em resumo, não é Marta a eleita de Cristo, não é sobre ela (que se desvelando em cuidados, andava pela casa afora para preparar uma refeição condigna para o Mestre) que repousam os olhos enternecedores do Senhor, nem sequer as Suas graças, nem sequer o Seu agradecimento; mas é sobre Maria, que não fazia, aparentemente, nada. É sobre Maria que Cristo repousa o olhar de Irmão, o olhar de Salvador, o olhar de Eterno, o olhar de compreensão. E, através deste olhar, passa para esta mulher desapegada do mundo, desinteressada das coisas, a graça de Deus, a plenitude de uma graça que só nos vem se nós, como Maria, deixarmos tudo. Dentro da sua natureza, cada pessoa deve tentar modificar-se, aperfeiçoar-se, ser melhor, nunca nada alterar para ficar pior. O que é alterável, eu agradecia em Nome de Cristo que todos o fizessem. E quem se sentir tentado a ir com Marta para cozinha, atarefado para fazer as coisas bonitas, deixe Marta sozinha. Esteja prostrado diante de Cristo, bebendo os Seus ensinamentos, tentando viver a Sua vida, e terá um olhar do Mestre sobre ele de paz, de amor, de graça. E são a paz de Cristo e este amor, veículos da graça santificante que transformam o homem. Seremos julgados na vida eterna, na medida em que ouvimos Cristo, O amamos, O escutamos, O conhecemos e O transportamos para as outras pessoas. A oração é o trabalho de todos os cristãos, de todos os homens. É por sermos trabalhadores na oração, pela oração e com a oração que nós nos aproximamos de Deus, vivendo Cristo numa dimensão que só o espírito nos dá, e Ele no-la dá pela oração. Que Cristo nasça no coração de todos aqueles em que ainda não nasceu; que naqueles em que já nasceu, renasça pleno de amor, de beleza, de calor humano, de fraternidade, de vida inteira autenticamente vivida, para podermos um dia encontrar com Cristo no Reino Eterno onde viveremos, ai sim, todos com a oração, só com a oração, pela oração. Viveremos todos nesse Reino de Paz e Amor que já hoje poderemos construir, pouco e pouco, com as nossas mãos, com a ajuda de Deus, com a graça de Deus. E com o olhar terno e materno de Maria, nossa Mãe, encontrar-nos-emos todos com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo, onde com Ele reinaremos pelos séculos dos séculos. Amém
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