![]() |
Vicariato
da América do Sul |
| Principal | Institucional | Centro de Estudos | Igreja Sérvia no Brasil | Teologia | Contato |
O Pecado, A Morte, O Arrependimento Extraído
dos Capítulos físicos, teológicos, éticos
e práticos de São Gregório Palamas 47. Assim como nos diz a Escritura, Deus não criou a morte (1). No entanto foi tentado de impedir que ela sobreviesse, desde que Lhe passa a ser necessário dissuadir aqueles que, por Ele, tinham a liberdade, sendo possível de o fazer com justiça. Ele deu, em efeito, previamente um conselho que abriria a imortalidade, e para que tivesse lá desde a origem uma forte segurança, fez do conselho vivificante um mandamento particular. Ele preveniu claramente, e deu significado à ameaça, sublinhando que a transgressão do mandamento da vida era a morte (2), a fim de que pudessem guardar-se da experiência da morte, quer pelo desejo, quer pelo conhecimento, quer pelo temor. Pois Deus ama, conhece e pode dar o que é bom a cada uma de Suas criaturas. Se então Ele só fizesse conhecer, mas não amasse, iria sem dúvidas pela interdição deixar Ele-próprio imperfeito o que conhecia bem. E se amando não tivesse conhecido ou não tivesse podido dar, o que desejava e conhecia, seria sem dúvidas apesar dele permanecido imperfeito. Mas desde que Ele ama, conhece e pode dar para o nosso maior bem, o que vem eventualmente dele, fosse isto mesmo apesar de nós, vem de toda maneira para o nosso crescimento. Em contrapartida, se de nós-mesmos, na medida onde temos recebido uma natureza livre, iríamos voluntariamente a Ele, tem muito a se temer que não é inútil. Quando Deus, velando manifestamente a todos, uma interdição fora dada, como no Paraíso (3), ou como no Evangelho pelo próprio Senhor, ou como as descendentes de Israel pelos Profetas o como na lei da graça pelos Apóstolos de Cristo e Seus sucessores, é manifestamente desvantajoso e desastroso desejar fazer um gesto voluntário e de nos esforçarmos. Alguém nos proporia ou nos arranjaria neste esforço nos persuadindo pelas suas palavras ou nos flertando por uma aparência agradável, tal homem é manifestamente hostil à nossa vida. 48. Logo, nós que desejamos, ou bem deveríamos viver pelo desejo (pois porque criou Ele viventes, se não houvera feito então antes de tudo por amor?) ou ainda não deveríamos viver para saber conhecer mais que nós próprios esta vantagem que é nossa (pois como que o Senhor dos conhecimentos, Aquele que deu o conhecimento, não seria incomparavelmente mais (4)?).; ou ainda, temendo Sua autoridade toda poderosa, deveríamos nos deixar persuadir de transgredir Sua ordem e Seu conselho, mesmo que agora não devamos transgredir os Mandamentos e os conselhos salutares que nos foram dados segundo estes de então. Agora também, em efeito, aqueles que não escolhem nobremente de se oporem ao pecado e têm por nada os Mandamentos divinos, recebem neles o conselho contrário. O que leva a dizer que recebem o conselho que os conduz à morte interior e eterna, se pelo arrependimento, não fazem retornar suas almas. Da mesma maneira, este casal de antepassados, não resistindo ao que os persuadia de desobedecer, transgridem o Mandamento: a decisão, anunciada previamente, d´Aquele que os julgava com justiça, foi logo aplicada. Seguindo esta decisão, ao comerem do fruto da árvore, morrem. E compreendem mesmo, pelo próprio fato, que era o começo de verdade, de amor, de sabedoria e de poder que havia lhes sido dado e que eles haviam esquecido. Eles se esconderam de vergonha, despojados da glória (5) que, melhor ainda, vivifica igualmente os espíritos imortais. Sem esta glória, a vida dos espíritos está de longe bem pior do que muitas mortes; é isto o que acreditamos. 49. Não era ainda útil que os antepassados comessem do fruto desta árvore, é o que mostra aquele que diz: “A árvore era uma contemplação semelhante à minha contemplação”, a única que atinge de golpe certeiro aqueles cujo estado está suficientemente perfeito. Mas não é boa para aqueles que estão ainda tão frustrados e ávidos em seus desejos, assim como o alimento sólido ainda não é útil àqueles que são ainda tenros e têm necessidade de leite. Mas se não quiséssemos transformar em contemplação, em um sentido espiritual, esta árvore bem como o alimento que ela dá, não seria tão difícil, segundo o meu parecer, de ver o quanto ela não deixava de ser útil a estes seres ainda imperfeitos. Pois parece-me que ver seu fruto com os sentidos e comê-lo, era a realização do mais agradável das árvores do Paraíso. Ora o alimento mais agradável aos sentidos não pertence nem àquilo que é verdadeiramente e totalmente bom, nem àquilo que é sempre bom, nem àquilo que é bom para todos. Mas ele é bom para aqueles que podem utilizá-lo, sem sofrerem derrota, quando necessário, da maneira necessária, e para a glória d´Aquele que o criou. Para aqueles que não podem utilizar assim, ele não é bom. Eis porque, penso eu, que chamamos esta árvore de conhecimento do bem e do mal (6). Pois é àqueles que são perfeitos no estado da contemplação divina e da virtude que pertence o aplicar-se àquilo de mais agradável aos sentidos, e de não se desviar sua inteligência da contemplação de Deus, dos hinos e das orações que eles trazem, mas de fazer daquilo que é agradável aos sentidos a matéria e a ocasião de suas tensões a Deus, e de dominar por fim o prazer dos sentidos pelo movimento da inteligência ao melhor. Mas se eles não têm o hábito do prazer e se o prazer é ainda maior e mais violento do fato de sua inexperiência, não desocupam a razão da alma a fim de se dirigirem então a esta ser mau, que tem por bom aquele que tomou tudo e venceu. 50. É lá que o fruto acaba por conduzir os antepassados que, por sua conduta, segundo a passagem sagrada, não deveriam ter abandonado a Deus. Deveriam em contrapartida ainda se exercerem e como que se educarem aos bens puros e simples e levar ao termo no estado de contemplação. Mas por não terem ainda chegado ao termo, se encontrassem no meio, e que estivessem pela força das coisas com que se serviam, facilmente levados ao bem ou ao seu contrário, deviam vir à experiência. E isto, puxando naturalmente muito forte para baixo, dominando e se abatendo pelos sentidos toda inteligência, dando espaço às más ações, e mostrando o quanto era persuasivo o iniciador de tais paixões, cuja origem depois dele é o alimento excitante que oferecem as comidas mais agradáveis. Se em efeito a única vista desta árvore, segundo a história, permitiu a serpente de se fazer admitir e ao seu conselho ser recebida com confiança quanto mais o alimento dado em abundância? Não é então claro que não era ainda útil que os antepassados, com seus sentidos, comessem do fruto desta árvore? Não era necessário que aqueles que haviam comido neste momento, fossem expulsos do paraíso por Deus (7), a fim de não fazerem deste lugar divino um local onde se tramava e se elaborava o mal? Não era também necessário que os transgressores sofressem desde então a morte do corpo? Todavia o Mestre pacientou. 51. A sentença de morte da alma, que o transgressor havia posto em obra, era conforme à justiça do Criador. Ele abandona aqueles que O haviam abandonado posto que haviam agido por sua própria vontade: Ele não os força. Esta sentença, Deus havia então anunciado em avanço em Seu amor do homem, pelas razões que havemos dito. Mas Ele aplica primeiramente e põe adiante a sentença da morte do corpo. E quando a pronuncia, na profundeza de Sua sabedoria e superabundância de Seu amor do homem, Ele põe em reserva para o porvir Sua execução real, não dizendo a Adão: “Retorna lá de onde foras tirado”, mas antes: “Tu és terra, e à terra voltarás” (8). É possível, para aqueles que entendem inteligivelmente, de ver em tais palavras que Deus não criara nem a morte da alma, nem a morte do corpo (9). Pois ao dar Sua ordem, não disse logo então: “Morrereis, no dia em que comerdes”, mas antes: “Vós morrereis no dia em que comerdes (10).” E agora, Ele não diz: “Retorna à terra”, antes, “Tu retornarás” (11). Ele adverte, Ele deixa fazer e, com justiça, não impede o que acontecerá. 52. Nossos antepassados deviam então comer a morte, tal como nós a comemos, nós que também estamos ainda lá: nosso corpo tornou-se mortal. Eis porque esta aqui é, por assim dizer, uma morte longa, ou ainda, inúmeras mortes, uma recebendo a outra, cada uma à sua vez, até que cheguemos à morte única, última e definitiva. Pois que nascemos para perecer. E uma vez nascidos, corremos até que deixemos de correr e de nos tornarmos. Não somos, na realidade, nunca os mesmos, mesmo ainda aos olhos daqueles que não fazem atenção, parecíamos ser. Tal como um fogo que atingiu em certa extremidade o final duma cana, e que é ora uma chama, ora outra, tem por medida de sua existência a lonjura da cana. Assim somos submetidos ao castigo, a medida e o intervalo da vida que é devolvido a cada um. 53. A fim de que não ignorássemos totalmente a superabundância do amor do homem e a profundeza da sabedoria à causa das quais Deus, depois de ter colocado o termo à morte, não deu ao homem de viver previamente, Ele mostrou primeiramente que castigaria com compaixão, ou antes que enviaria o castigo com justiça, para que não nos desesperássemos totalmente. Ele deu o tempo do arrependimento e da conduta que Lhe agrada desde o princípio. Ele aliviou pelas alternâncias do tornar-se a tristeza da morte. Ele aumentou a raça pelos descendentes, deste que a multidão daqueles que nasciam o sobressai em muitos, a princípio, sobre o número dos que morrem. No lugar da única beleza da árvore sensível, quando Adão tornou-se miserável e indigente, Deus mostrou muitos homens, saídos do sensível, que foram, na beatitude, ricos da ciência de Deus, de virtude, de conhecimento e de benevolência de Deus: testemunham Set, Enoc, Noé, Melquisedec, Abraão e todos aqueles que se revelaram dentre eles, antes deles, depois destes e daqueles, ou próximos deles. Mas dentre tantos homens e de tais homens, nenhum viveu totalmente sem pecado, para poder reparar pelo seu combate esta derrota dos antepassados, cuidar da ferida que havia recebido a raiz da raça, e gozar desde então em vista da santificação, da benção e do retorno da vida a todos. Isto, Deus havia predito, e Ele o fez à seu tempo a escolha das raças e das tribos de onde sairia o ramo (12) celebríssimo, trazendo a flor pela qual Ele deveria cumprir a economia de salvar o gênero humano. 54. Ó profundeza da riqueza, da sabedoria e do amor de Deus pelo homem! Pois se não houver tido a morte e se a nossa raça, como isenta de tal raiz, não fosse mortal antes mesmo da morte, não seríamos ricos das primícias da imortalidade, não seríamos lembrados aos Céus, nossa natureza não teria sido entronizada acima de toda autoridade e todo poder, à destra da Majestade, nos Céus (14). Assim, pela Sua própria sabedoria e Seu próprio poder, Deus sabe, em Seu amor do homem, transformar em vista do melhor o afastamento no qual nossa liberdade nos faz deslizar. 55. Muitos sem dúvida acusam Adão de ter transgredido o Mandamento divino, deixando-se facilmente persuadir pelo mau conselheiro, e de ter assim, através desta transgressão, suscitado em nós a morte. Mas não é a mesma coisa de querer provar de uma erva mortal antes de ter a experiência, e de desejar comer depois de ter aprendido por experiência que ela é mortal. Aquele que, depois de ter tido a experiência, engole o peixe e faz vir sobre ele-mesmo miseravelmente a morte, é bem mais vergonhoso do que aquele que, antes de ter a experiência, faz este gesto e sofre as conseqüências. Eis porque cada um dentre nós está sujeito à vergonha e à condenação mais ainda do que Adão, ele próprio. Mas esta árvore não está em nós? Não existe agora, à nossa porta, um Mandamento de Deus que nos proíbe de comer de seu fruto? Assim esta árvore pode igualmente não estar em nós. O Mandamento dado por Deus está sempre lá, no meio de nós, ainda hoje. Aqueles que o obedecem e querem viver observando-o, Ele os livra do castigo pelos pecados que cometeram, tal como livra da maldição e da condenação ancestrais. Mas aqueles que ainda mantêm a transgressão e Lhe preferem sob a sugestão e o conselho do maligno, não é possível que não seja expulsos para longe desta vida, fora das vias do Paraíso, e que não caiam na geena do fogo eterno a qual estávamos ameaçados. 56. Qual é então este Mandamento de Deus que nos é agora proposto? O arrependimento, cujo princípio é o de não tocar àquilo que fora defendido. Em efeito, ao sermos justamente rejeitados do campo de delícias divinas e exclusos do Paraíso de Deus, havendo caído no fundo deste abismo, condenados a permanecer e a viver com os animais desprovidos de razão e perdido a esperança de ver vir sobre nós o chamado do Paraíso, o próprio Deus trazendo um julgamento em Sua justiça,ou ainda então nos permitindo de nos aproximarmos deste julgamento, na superabundância de Seu amor pelo homem e de Sua bondade, nas entranhas de Sua compaixão (15), é agora para nós descido até nós. E tornado, fora do pecado, homem como nós para a benevolência, a fim de ensinar e de salvar o mesmo pelo mesmo, Ele trouxe em nós o conselho e o mandamento salutares do arrependimento, nos dizendo: “Arrependei-vos, pois que se aproxima o Reino de Deus” (16). Antes que o Verbo de Deus Se fizesse homem, o Reino dos Céus estava em efeito tão longe de nós, como o céu da terra. Mas quando o Reino dos Céus vem habitar em nós e se une a nós em sua benevolência, Ele Se aproximou de todos nós. 57. Desde que o Reino dos Céus se aproxima de nós, pelo amor que nos traz ao descer em nossa direção o Verbo de Deus, não nos afastamos d´Ele levando nossa vida fora do arrependimento. Fujamos bem antes a miséria daqueles que estão assentados nas trevas e sombra da morte (17). Adquiramos as obras do arrependimento, um pensamento humilde, uma compunção e um luto espirituais, um coração doce, pleno de piedade e tomado de justiça, esforçando-se na pureza, calmo, pacífico, sofredor, acolhendo com alegria as perseguições, as perdas, os ultrajes, as calúnias e os sofrimentos pela verdade e justiça. Pois o Reino dos Céus, ou ainda, o Rei dos Céus – ó magnificência indizível – está em nós 18. É a Ele que nós devemos sempre nos ligar pelas obras do arrependimento, amando o quanto possível Aquele que nos amou tanto. ____________________
|
|||||
|
Igreja Ortodoxa Sérvia © 2006-2008 |