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Entrevista com o Bispo Kalistos Ware
Entrevista publicada
na revista Road
to Emmaus [Estrada de Emaús] no 3º
trimestre de 2002.
Nota editorial: De 8 a 10 de feveiro deste ano [2002], um membro
do conselho administrativo de Estrada de Emaús esteve
no retiro de fim-de-semana da Catedral Ortodoxa Antioquina de São
Jorge, em Wichita, Kansas, EUA. Lá estava o Bispo Kalistos Ware
[elevado a Metropolita em 2007] de Diocléia na Grã-Bretanha.
Há mais de 40 anos, o Bispo Kalistos escreveu uma clássica
introdução à Ortodoxia que, desde então,
nunca foi superada em clareza, profundidade e objetividade: The
Orthodox Church. Nas décadas seguintes,
além de professor de Estudos em Cristianismo Oriental e pastor
da paróquia ortodoxa em Oxford, ele também co-traduziu
o Triodion
Quaresmal e o Menaion
das Festas
para a língua inglesa, bem como quatro volumes do maior clássico
da espiritualidade ortodoxa, a famosa Filocalia [volumes 1,
2,
3
e 4
-- o 5º e último volume ainda não foi publicado].
A dívida que o mundo de língua inglesa tem por suas explicações
claras e concisas e por suas traduções fiéis às
fontes e ofícios originais é enorme. Estrada de Emaús
acrescenta sua parte a esta dívida, já que Sua Graça
se dispôs gentilmente a nos responder algumas perguntas.
EDE: Sua Graça, muitos ortodoxos vieram de famílias católicas,
protestantes, e até mesmo agnósticas. Eles em geral sentem
que foi o próprio Cristo quem os conduziu à Ortodoxia.
Quando nos tornamos ortodoxos, topamos com certo "constrangimento
de riquezas" - ícones, ofícios, a tradição
patrística, a história da Igreja - de maneira que ficamos
tentados em mergulhar de cabeça nisso tudo. No entanto, é
muito comum trazermos conosco experiências de cultos muito racionais
ou muito emocionais. Como um convertido deve adentrar à Igreja
sem que incorra nesses extremos? Não desejamos romper os laços
com o passado e com as valiosas lições que aprendemos
pelo caminho, mas como proceder para nos inserirmos plenamente na tradição?
A Oração de Jesus é uma porta acessível
ao recém-convertido?
BISPO KALISTOS: Sim. O primeiro ponto que temos de entender, o qual
você mesmo já citou, é que quando nos tornamos ortodoxos,
devemos encarar este fato como o cumprimento de nosso passado, e não
como sua negação. Devemos encará-lo como a afirmação
de tudo aquilo que é bom em nossa experiência pregressa.
Para mim, é sempre muito triste ver ortodoxos atacando as comunidades
cristãs às quais pertenceram no passado. É claro,
talvez eles queiram dizer por que se tornaram ortodoxos, ou o que eles
encontraram na Ortodoxia que não havia anteriormente, mas eles
devem sempre ter em mente que suas antigas comunidades cristãs,
se tiveram uma, é o que os levaram à Ortodoxia. Portanto,
devemos encarar a Ortodoxia como o coroamento, ou seja, como a afirmação
de tudo aquilo que é bom, e não apenas como ruptura.
Dito isto, é verdade que trazemos muita bagagem conosco, e precisamos
nos desfazer de parte dessa bagagem. No entanto, a coisa mais importante
para uma pessoa não-ortodoxa que se sente atraída pela
Ortodoxia - e aqui não importa se ela pertence a outra comunidade
cristã ou se é agnóstica - é que ela deve
experimentar a Ortodoxia como uma via de oração, como
uma comunidade de oração.
A primeira coisa que digo a alguém que esteja interessado na
Ortodoxia é: "Aprenda a rezar com a Igreja Ortodoxa".
Isso significa comparecer à Divina Liturgia (sem participar da
Santa Comunhão, é claro), mas comparecer à Liturgia
todo domingo, caso esteja sinceramente interessado em se juntar à
Ortodoxia. Em paralelo, utilize as orações ortodoxas nas
suas orações diárias, e aqui a Oração
de Jesus tem seu papel. Eu os encorajo, antes mesmo de se tornarem ortodoxos,
a começar a rezar a Oração de Jesus de maneira
simples, mas séria e consistentemente.
Portanto, a melhor maneira de se aproximar da Ortodoxia é por
meio da oração. Sim, devemos ler livros, devemos conversar
com outros ortodoxos, mas, acima de tudo, devemos aprender a rezar com
a Igreja Ortodoxa. Ora, é claro que isso não eliminará
todas as posturas não-ortodoxas, mas, no mínimo, é
por aí que devemos começar.
Então, sendo mais específico em relação
à sua pergunta, o que significa ser uma pessoa? Possuímos
um cérebro que raciocina, e trata-se de um dom de Deus que deve
ser usado de maneira plena. Possuímos emoções,
e elas também não devem ser suprimidas. Elas devem ser
postas a serviço de Deus. Mas temos de reconhecer que a pessoa
humana é mais do que apenas faculdades racionais e mais do que
apenas sentimentos e afinidades emocionais.
Esse "algo a mais" é exatamente aquilo que a literatura
tradicional ortodoxa resume em dois termos: noûs e espírito.
Noûs é uma palavra difícil de traduzir. Se disséssemos
que é "mente", seria vago demais. Na tradução
que fizemos da Filocalia, optamos em traduzi-la, com muita hesitação,
por "intelecto", deixando claro que "intelecto"
não designa em princípio a faculdade racional do homem.
[Muitos tradutores contemporâneos têm optado por não
traduzir a palavra noûs, deixando-a no original grego - N. do
T.] O noûs é a visão espiritual que todos nós
possuímos, embora a maioria não a tenha descoberto ainda.
O noûs implica em apreciação direta e intuitiva
da verdade, na qual a verdade é apreendida não como se
fosse a conclusão de um raciocínio, mas simplesmente vemos
que algo é assim.
O noûs também é cultivado por meio do estudo, do
treinamento de nossas faculdades, mas ele também é desenvolvido
por meio da oração, do jejum, e da vida cristã
em geral. É isso que, mais do que tudo, precisamos desenvolver
enquanto ortodoxos. É algo muito mais importante e elevado do
que o cérebro racional e muito mais profundo que as emoções.
EDE: Quando tentamos alcançar esse algo a mais, tudo na Ortodoxia
aponta para a Santíssima Trindade e, em especial, para o Senhor,
já que ele também era humano. Em sua opinião, qual
o melhor caminho para que um convertido possa alcançá-Lo?
O senhor mencionou a Oração de Jesus como parte integrante
desse caminho. O senhor poderia esclarecer melhor o assunto?
BISPO KALISTOS: De fato, a Oração de Jesus é uma
via para cultivar a visão espiritual. Não se trata de
uma forma de imaginação discursiva, que supostamente nos
forneceria novos retratos imaginários sobre como Cristo era;
também não é uma forma de imiscuir-se em argumentos
teológicos que nos conduziriam a novas idéias sobre Cristo.
Na verdade, a Oração de Jesus apela diretamente ao noûs,
ao coração, ao espírito. Esta é uma das
maneiras de alcançar este nível especial de pessoalidade
do qual estávamos falando. Eu não diria que é a
única via, além de que a Oração de Jesus
existe num determinado contexto. Ela pressupõe que as pessoas
que rezam a Oração de Jesus estejam plenamente imersas
na vida sacramental da Igreja, sobretudo no sacramento da confissão
e da Santa Comunhão. A Oração de Jesus anda de
mãos dadas com a vida sacramental.
No entanto, gostaria de mencionar, além da Oração
de Jesus e da vida sacramental, a especial importância da leitura
das Escrituras. Alguns convertidos não se atentam a este detalhe
porque, em geral, se entusiasmam tanto com os ícones, com o incenso,
com a riqueza da Divina Liturgia etc., mas também devem refletir
como é profundo o elemento bíblico e evangélico
na Ortodoxia. Por "evangélico", refiro-me ao sentido
literal de "viver nos Evangelhos".
Na Ortodoxia, cultivamos um modo todo particular de ler as Escrituras.
Era algo comum tanto no Oriente quanto no Ocidente, embora não
seja agora muito comum no Ocidente. Devemos ler a Bíblia não
necessariamente munidos de um monte de comentários, mas devemos
lê-la lentamente - ouvindo-a, lendo-a como se tivesse sido endereçada
a mim mesmo. Leia-a cuidadosamente, de maneira reflexiva, meditativa,
contemplativa, mas sem desenvolver argumentos, porém com uma
postura de simplesmente ouvi-la.
Este é o modo tradicionalmente ortodoxo de ler as Escrituras.
Não as lemos rodeados de comentários, embora isso também
tenha a sua importância, mas as lemos como parte de nossas orações
- não como um estudo racional mas como um ato de oração.
Não devemos forçar o sentido das Escrituras de maneira
que se conformem artificialmente à nossa própria condição,
mas, à medida que as lemos, devemos aplicá-las a nós
mesmos, não com exemplos confeccionados a partir da imaginação,
mas simplesmente ouvindo-as. Creio que se as Escrituras fossem lidas
desta maneira, elas nos ajudariam a cultivar uma relação
pessoal com Jesus Cristo.
Quanto à Oração de Jesus, é bom sempre nos
lembrarmos que ela não é uma técnica de relaxamento
ou concentração. Ela é, isso sim, uma invocação
pessoal, são palavras de oração direcionadas especificamente
à pessoa de Jesus, nosso Salvador.
EDE: Quando comecei a ler livros ortodoxos, muitos anos atrás,
iniciei pelos Relatos
de um Peregrino Russo. Tínhamos também,
na época, a tradução inglesa da Filocalia. Quando
eu descobri que os Relatos se baseavam em livros reais, que a Filocalia
existia, comprei-a imediatamente com a esperança de que, "Ahá!
Agora sim, vou conseguir rezar como o peregrino". Porém,
assim que comecei a ler a Filocalia, percebi que a leitura era dificílima,
que era algo que estava anos-luz à frente das minhas limitadas
experiências, mas que também tinha algo a ver com o conceito
de "mente no coração". Depois de uns quatro
ou cinco capítulos, a gente percebe que não tem absolutamente
nenhuma idéia de como aplicar esse conceito, e fica pensando:
"Será que minha mente já está no coração?
Como eu chego lá? Será que eu deveria estar fazendo alguma
coisa, ou será que Deus vai fazer alguma coisa por mim para que
isso aconteça? Será que eu devo pensar, será que
eu não devo pensar...?"
BISPO KALISTOS: Sim. Em primeiro lugar, a Filocalia não é
um livro fácil. De qualquer maneira, as obras da edição
grega não estão organizadas por nenhum critério,
ou melhor, a seqüência é meramente cronológica,
mas não há um arranjo sistemático de tópicos.
É até possível que leiamos a Filocalia a fim de
saber o que Deus tem a dizer a nosso coração, mas é
muito melhor que a leiamos com auxílio e orientação.
Se me pedissem para recomendar textos da Filocalia, eu sugeriria os
Cem Textos (a Centúria) de Kalistos e Ignácio
Xanthopoulos. Eles se encontram no quinto volume da Filocalia, o qual
ainda não foi publicado, mas que pode ser encontrado em inglês
numa antiga tradução feita a partir de uma tradução
russa feita por São Teófano, o Recluso, em Writings
from the Philokalia on Prayer of the Heart [Textos da
Filocalia sobre a Oração do Coração]. É
um excelente começo. Depois, sugeriria que as pessoas lessem
Hesíquio, do primeiro volume; do segundo volume, a vida do Ancião
Filomeno; e também, talvez, as obras mais curtas de São
Gregório do Sinai, que se encontram no quarto volume.
São textos muito úteis para principiantes mas, repito,
temos de reconhecer que a Filocalia é um livro difícil.
Quiçá, quando terminar o quinto volume, com a graça
de Deus, eu possa preparar uma espécie de introdução
à Filocalia, a qual conteria os textos mais fáceis organizados
por temas. Não seria um substituto à tradução
completa, mas uma introdução.
Outro livro que pode ajudar as pessoas, algo mais fácil e simples
que a Filocalia, é uma antologia publicada em inglês com
o título de The
Art of Prayer [A Arte de Rezar], pelo Hegúmeno
Chariton de Valamo. Acho que os ensinamentos da Filocalia ficam bem
mais fáceis por meio das explicações de São
Teófano e Santo Ignácio Brianchaninov.
Quanto à questão da mente no coração, eu
não recomendaria que as pessoas começassem a pensar nisso.
Eu diria para começarem com a Oração de Jesus em
si. Não pense "Onde está minha mente? Será
que está no coração?" Não pense "Estou
rezando a Oração de Jesus". Em vez disso, pense em
Jesus. O ponto de partida é recitar a Oração de
Jesus confinando a mente nas palavras da oração. Temos
de estar cientes que estamos falando a Jesus. São palavras vivas
de oração direcionadas para outra pessoa viva. Não
fique pensando "Onde está minha mente?" Não
pense em seu próprio ego, pense apenas em Jesus. Confine sua
mente nas palavras da oração: "Senhor Jesus Cristo,
Filho de Deus, tem piedade de mim". Concentre-se na própria
recitação da oração, e todo o resto seguirá
como e quando Deus desejar.
EDE: Algumas pessoas, sobretudo monges, rezam certa quantidade de Orações
de Jesus por dia; outros rezam por um determinado período de
tempo. O que o senhor sugeriria para um iniciante?
BISPO KALISTOS: Ambas as formas são aceitáveis. No entanto,
eu sugeriria a um iniciante que reserve um período de tempo,
sem dar muita importância ao número de orações
que conseguir recitar. Na verdade, é possível combinar
as duas formas porque você rapidamente descobrirá quanto
tempo leva para rezar cem Orações de Jesus. Se eu levo
doze minutos, então reservarei, digamos, 25 minutos para rezar
200. Mas isso seria apenas uma sugestão. Comece com a idéia
de reservar um tempo para isso. A quantidade de vezes que conseguir
rezar a Oração de Jesus é menos importante, mesmo
porque há muitas e diferentes tradições. Na Grécia,
é comum rezá-la rapidamente, enquanto na tradição
russa é costume rezá-la mais lentamente.
EDE: Se temos de rezá-la com atenção e amor, acho
que faz mais sentido recitá-la lentamente. Como é possível
rezá-la rapidamente, como sugere a tradição grega?
BISPO KALISTOS: Eu prefiro a tradição de rezá-la
mais lentamente, mas não quero julgar ninguém só
porque não recito a Oração de Jesus rapidamente.
Se você rezá-la livremente, ao longo do dia, conforme suas
tarefas diárias lhe permitirem, é provável que
o fará rapidamente, mas não tenha dúvida de que
eu recomendaria às pessoas que, no tempo específico que
reservarem para rezar, que o façam lentamente.
Ora, os monges frequentemente possuem regras que determinam uma quantidade
fixa de repetições. Creio que isso é mais adequado
à vida monástica porque ali há uma vida disciplinada,
com uma seqüência fixa e elaborada de ofícios litúrgicos,
de maneira que a regra de oração acaba se inserindo nesse
contexto. É um contexto bem mais estruturado. Ali faz sentido
dizer: "Ok, agora você vai rezar trezentas Orações
de Jesus com determinado número de metanias, sejam inclinações
ou prostrações".
Quanto aos leigos, no entanto, é muito melhor dizer: "Bem,
é razoável que eu reserve tanto e tanto de tempo pela
manhã ou à noite". Pode ser apenas 25 minutos, mas
isso já vai fazer uma diferença enorme. Você começa
daí, sem se preocupar com quantidades. Conforme ensinava Santo
Isaque, o Sírio: "Não quero contar marcos, quero
entrar no leito nupcial".
EDE: Obrigado, Sua Graça, a entrevista foi excelente. Temos uma
última pergunta, formulada por uma pessoa do auditório
durante sua palestra, e que acho particularmente importante. Como a
Oração de Jesus, que aparentemente é direcionada
somente a uma pessoa da Santíssima Trindade, participa na liturgia
trinitariana e na vida de oração da Igreja?
BISPO KALISTOS: A dimensão trinitariana da oração
é, de fato, uma questão fundamental. Não há
oração verdadeira sem a Santíssima Trindade. Você
poderia perguntar: "Ora, a Oração de Jesus é
uma oração trinitariana?" De fato, isso faz sentido
se nos detivéssemos somente em seu aspecto mais exterior; mas
se nos aprofundarmos na oração, encontraremos uma dimensão
trinitariana na Oração de Jesus. Primeiramente, a Oração
de Jesus, sim, é uma oração direcionada a Cristo,
mas falamos de Cristo enquanto Filho de Deus, e aquele que fala do Filho,
fala, por conseguinte, do Pai, de maneira que, ao falar a Jesus enquanto
Filho de Deus, estamos certamente incluindo em nossa oração
a pessoa de Deus Pai.
E o Espírito Santo? Ele não é explicitamente mencionado
na oração, mas Ele é, a despeito disso, a atmosfera
na qual a oração é recitada. Um dos textos mais
importantes da história da Oração de Jesus está
em I Coríntios 12:3: Ninguém pode dizer que Jesus
é o Senhor, senão pelo Espírito Santo. Os
santos que versam sobre a Oração de Jesus repetem este
versículo das Escrituras muitas e muitas vezes. Embora o Espírito
Santo não seja mencionado, Ele está ali. Invocamos Jesus
no Espírito Santo. É propósito do Espírito
Santo nos levar a Cristo.
Na última ceia de nosso Senhor, Cristo afirma: "Ele não
falará de Si próprio, ou por Sua própria autoridade,
Ele tomará o que é meu e mostrar-vos-á". Portanto,
precisamente, a função do Espírito na economia
trinitariana é levar-nos a Cristo, e Cristo leva-nos ao Pai.
Dessa forma, a Oração de Jesus, implicitamente, é
uma oração verdadeiramente trinitariana. Uma boa maneira
de pensar sobre oração é não achar que eu
estou falando com Deus: "Eu, uma pessoa aqui embaixo, estou tendo
um diálogo com Deus lá em cima". Devemos pensar assim:
"Eu estou entrando no diálogo de amor que continuamente
perpassa por entre as Três Pessoas da Trindade". Assim, quando
rezo, não sou bem eu que estou rezando, mas é como se
eu estivesse adentrando em um diálogo que já está
ocorrendo. Desde a eternidade, já há um diálogo
na Divindade, um diálogo de amor. Desde a eternidade, a Primeira
Pessoa diz à Segunda: "Tu és meu Filho amado".
Desde a eternidade, a Segunda Pessoa responde à Primeira: "Abba,
Pai, Abba, Pai". Desde a eternidade, o Espírito Santo sela
essa troca entre Pai e Filho. Assim, quando rezamos, não somos
exatamente nós que rezamos, mas nós adentramos no diálogo
da Trindade. Através do Espírito Santo, somos levados
a falar as palavras de Cristo como se fossem nossas. No Espírito
Santo, dizemos: "Abba, Pai", e assim nos tornamos parte do
eterno diálogo trinitariano.
É desta maneira que a oração é entendida,
particularmente em Romanos 8. Se a lermos com cuidado, constataremos
que ali há essa idéia de oração enquanto
inserção no diálogo da Trindade. Podemos não
sentir isso de imediato, conscientemente, mas é isso que acontece.
Tornamos-nos parte do diálogo trinitariano de amor. Através
do Espírito, nos tornamos filhos no Filho, e com o Filho dizemos
ao Pai: "Abba, Pai".
Tradução
Edward Wolff.
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As
prósforas são utilizadas na Liturgia Bizantina de
onde é retirado o Cordeiro ofertado na Eucaristia, elaborado
com levedura e preparado sempre por um(a) fiél ortodoxo(a)
segundo uma fórmula específica de acordo com a Tradição
da Igreja
Turibulo usado na liturgia bizantina

S. Serafim Vyritzkiy

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