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Texto sobre Monte Athos
Chamado pelos cristãos ortodoxos de Montanha Sagrada, este Estado-monástico-teocrático,
no norte da Grécia, permanece isolado e distante da vida profana,
como bem simbolizam a maioria de seus mosteiros no alto de penhascos sobre
o mar Egeu. Os vinte mosteiros que compõem o conjunto, jamais visitados
por uma mulher, guardam a arte, a rigidez ascética e a memória
de mil anos de cristianismo. O cotidiano dos quase 1500 monges inclui
de cinco a oito horas de orações, além de jejum e
trabalho dedicados a Deus e à padroeira do Monte Atos, a Virgem
Maria.
Não se sabe, exatamente, desde quando a vida monástica está
presente no Monte Atos. Sabe-se, entretanto, que já no século
VII lá peregrinavam ascetas do oriente e Egito perseguidos pelos
árabes. Neste período chega no Monte Atos muitos monges
procurando segurança, silêncio e isolamento indispensável
para o desenvolvimento espiritual e, por isso intencionavam, viver longe
do mundo.
Uma tradição milenar e a imutável hierarquia dos
vinte mosteiros, onde vivem 1500 monges, guardam a memória do cristianismo
ortodoxo desde o século X da nossa era. Sobre um promontório,
com seu ápice no Monte Atos a 2033 metros de altura, os monges
vivem imunes às turbulências da vida moderna, as paredes
dos mosteiros preservam milhares de ícones, relicários,
imagens sagradas e afrescos valiosos da arte da Macedônia e cretense.
Ali, nessa república autônoma, monástico-teocrática
o tempo não conta. Até o calendário usado no Monte
Atos é diferente: está atrasado 13 dias em relação
ao civil, é utilizado o calendário Juliano, que é
o calendário litúrgico de toda a Igreja Ortodoxa. As horas
os monges começam a contar a partir do crepúsculo.
Ao norte da Grécia, a província conhecida como Macedônia
– terra de Alexandre, o Grande, apresenta uma grande península,
a região da Calcídia. Na forma aproximada de um tridente,
a Calcídia lança três faixas de terra sobre o Mar
Egeu: as penínsulas de Cassandra, Longos e Athos, que é
a mais oriental delas, medindo cerca de 60 quilômetros de comprimento
por oito a doze de largura.
Com o litoral recortado por baías e enseadas, o local já
foi conhecido como Pequena Grécia. Os gregos chamam o Monte Atos
de Agion Oros, que significa Monte Santo. O politeísmo da Grécia
antiga narra-nos lendas sobre os primórdios da península.
Uma delas afirma que uma briga feroz entre o deus das profundezas marinhas,
Posêidon (Netuno, para os romanos) e o gigante Atos, que teria atirado
um imenso rochedo sobre o deus. Errou o alvo e acabou lançando
ao mar o Monte Atos. Outra versão diz que Posêidon teria
sido o agressor, arrancando um fragmento da península de Palena
para golpear o oponente.
A Tradição Cristã nos diz que, após a Ressurreição
de Jesus Cristo, a Virgem Maria teria viajado em um barco, acompanhada
do apóstolo João, rumo à ilha de Chipre. Lá
visitaria Lázaro, que, havia sido ressuscitado algum tempo antes
pelo Messias, durante sua estada em Betânia, uma aldeia próxima
a Jerusalém. Uma forte tempestade teria surpreendido a Virgem Maria
e São João no meio do caminho e eles foram obrigados a procurar
refúgio na península de Atos, no local onde hoje se encontra
o mosteiro de Iveron. De acordo com a Tradição, a Virgem
Maria ficou impressionada com a beleza do lugar e orou para que seu filho
lhe concedesse a soberania eterna do Monte Atos. Em resposta ao pedido,
ouviu-se uma voz que parecia vir do céu, dizendo: “Que este
lugar seja teu prêmio, teu jardim, teu paraíso e um refúgio
para todo aquele que deseja a salvação”. Por causa
disso, todos os mosteiros construídos na região foram dedicados
à Virgem Maria, considerada protetora eterna do lugar.
Do ponto mais alto da península, avistam-se as lendárias
costas da Macedônia e da Trácia e ainda o Monte Olimpo, situado
a mais de 200 quilômetros de distância e considerado pelos
antigos politeístas como a morada dos deuses. Mas é o cristianismo
ortodoxo que governa o Monte Atos desde o século X.
A proximidade com Bizâncio, posteriormente chamada de Constantinopla
depois da transferência da capital do império por Constantino,
atual Istambul, na época uma cidade forte e próspera, favorecia
a proteção e ao isolamento. De 330 quando da transferência
da capital até 1453, Constantinopla, cidade fundada pelos gregos
à margem do estreito de Bósforo, foi a capital do Império
Romano do Oriente, também chamado Império Bizantino.
O Monte Atos foi o principal local de concentração de eremitas
e anacoretas de toda a Grécia, moravam sozinhos ou em pequenas
casas comunitárias para dois ou no máximo três monges.
Praticavam ascetismo rigoroso – jejum e oração incessante.
A exposição ao tempo frio e quente aliada à oração,
dava a eles forças para resistir às paixões carnais.
Viviam em total tranqüilidade no seio da natureza com o mínimo
de necessidades e o mínimo de contato com o mundo exterior. Por
estes motivos obtiveram respeito da população da península
Calcídica e posteriormente de toda Grécia e hoje de todo
o mundo. O período entre os séculos X e XII é considerado
a “Era de Ouro” do Monte Atos, quando sua fama cruzou as fronteiras
da península e atraiu monges ortodoxos da Sérvia, Rússia,
Bulgária, Romênia e Geórgia. Durante este período
o Monte Atos chegou a ter 120 mosteiros e mais de 20.000 monges.
O Santo Monte Atos constitui uma parte independente do país grego
atuando sob orientação espiritual do Patriarcado de Constantinopla.
A capital deste estado teocrático-monástico é a vila
de Karyes que é a sede do governo civil e onde situa-se a residência
do Protos (Primaz), que está diretamente ligado ao Ministério
das Relações Exteriores. A Autoridade Legislativa está
nas mãos da Santa Synaxeis, uma assembléia constituída
de 20 membros, que se reúne duas vezes anualmente em Karyes. A
Santa Comunidade é um corpo administrativo constituído de
20 membros com mandato anual sob a liderança do representante da
Grande Lavra. Decisões judiciais são tomadas por várias
autoridades: crimes e delitos leves são levados aos tribunais em
Tessalônica; disputas entre diferentes mosteiros (dependendo da
natureza) são resolvidos, ou pela Santa Comunidade ou pelo Santo
Sínodo do Patriarcado de Constantinopla; enquanto problemas menores
são julgados nos respectivos mosteiros. O corpo executivo dos comitês
acima é a Santa Epistasia, que é composta de 4 membros representantes
de quatro grupos de mosteiros do Monte Atos, nomeada a cada ano pela Santa
Comunidade. Os 20 mosteiros existentes no Monte Atos são distintos
pela denominação: real, aqueles que foram fundados por autorização
de um decreto imperial e apoiados pelo Imperador bizantino; patriarcal
e stavropegial, os que estão diretamente subordinados ao Patriarca
de Constantinopla.
Atualmente vivem no Monte Santo em torno de 1500 monges ortodoxos de diversas
nacionalidades em 20 mosteiros, em numerosas “kellia”, “kalyvae”,
“skit” e eremitérios. “Kellion” é
uma ampla sede de um só prédio com capela e contendo uma
pequena área de terra para cultivo, acessível através
do mosteiro destinada a grupos de três monges, que normalmente ocupam-se
com agricultura, as “kellia” estão subordinadas a um
dos 20 mosteiros principais. “Kalyva” é menor que uma
“kellion” contendo uma capela, mas sem terra para cultivo
associada, uma pequena mensalidade é paga por cada monge da “kalyva”
ao mosteiro principal a que está ligada a “kalyva”.
“Skit” são comunidades organizadas constituídas
de várias “kalyvae”, normalmente são antigos
mosteiros, localizados no terreno de um mosteiro principal; os monges
que vivem em “skit” normalmente ocupam-se com artesanato e
escultura. Eremitérios ou hesicastérios são normalmente
grutas ou pequenas cabanas para aqueles que querem viver a vida ascética
em inviolável solidão; os eremitérios encontram-se,
principalmente em lugares isolados tais como na parte sudoeste da península.
Igúmeno Lukas
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As
prósforas são utilizadas na Liturgia Bizantina de
onde é retirado o Cordeiro ofertado na Eucaristia, elaborado
com levedura e preparado sempre por um(a) fiél ortodoxo(a)
segundo uma fórmula específica de acordo com a Tradição
da Igreja
Turibulo usado na liturgia bizantina

S. Serafim Vyritzkiy

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